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Relatório aponta queda em internações de crianças com desnutrição na Faixa de Gaza, mas alerta para fragilidade

Dados da Unicef mostram redução de internações por desnutrição em Gaza, mas especialistas alertam para riscos de retrocesso e falta de dados precisos.

Por Redação Diário Local

O número de crianças internadas na Faixa de Gaza com desnutrição caiu de 17 mil em agosto de 2025 para 3 mil em junho de 2026, conforme relatório da Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) divulgado em 24 de agosto.

Apesar da redução nos casos de internação, o documento classifica a melhora como "altamente frágil" e totalmente dependente da continuidade do acesso humanitário. A desnutrição crônica, caracterizada pelo atraso no crescimento, ainda atinge 12,2% das crianças menores de cinco anos nas áreas que puderam ser monitoradas.

O levantamento da Unicef mediu 1.335 crianças de 0 a 59 meses entre 31 de maio e 15 de junho. A pesquisa, no entanto, excluiu cerca de 17% da população de Gaza, o que representa 358 mil pessoas, devido a restrições de segurança e dificuldades de acesso geográfico.

Quais são os desafios para medir a fome na região?

A obtenção de dados precisos sobre a segurança alimentar em Gaza enfrenta barreiras técnicas e logísticas. A bióloga Sandra Beltrán Pedreros explica que a metodologia mais confiável envolve a medição de peso e altura, mas esse processo é complexo em cenários de guerra.

Em situações de conflito, é comum o uso da medição do braço da criança, já que o músculo do braço é um dos primeiros a ser perdido durante a redução de peso. Além disso, a constante movimentação de famílias migrantes em busca de sobrevivência dificulta o acompanhamento contínuo dos dados nutricionais.

O Ministério da Saúde da Faixa de Gaza informou, no início de 2026, que cerca de 14.300 crianças estavam em estado de desnutrição em agosto de 2025, resultando em 475 mortes por esse motivo.

Como a ajuda humanitária impactou os índices?

A redução no número de internações está relacionada ao maior controle da distribuição de ajuda por organismos multilaterais, como a Unicef, a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) e o PMA (Programa Mundial de Alimentos). Essa reorganização foi possível após o acordo de cessar-fogo em 10 de outubro de 2025.

De acordo com a professora de Relações Internacionais da ESPM, Natalia Fingermann, a melhora ocorre com a atuação desses órgãos, mas o volume de ajuda ainda é insuficiente para atender toda a população. Ela destaca que o cenário de desnutrição crônica permanece evidente.

O diretor regional do Unicef para o Oriente Médio e Norte da África, Edouard Beigbeder, reforça que a nutrição infantil melhora com a chegada da ajuda, mas sofre deterioração rápida caso o fluxo de suprimentos seja interrompido.

Quais os impactos da desnutrição crônica?

Diferente da desnutrição aguda, que é uma emergência de resposta rápida, a desnutrição crônica é causada por privações prolongadas e tem impactos permanentes. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a condição pode afetar o desenvolvimento cognitivo, a capacidade de aprendizado e a produtividade física na vida adulta.

Na região, a desnutrição crônica moderada atinge 9,6% das crianças, enquanto a forma severa atinge 2,6%. O problema é visto como um prejuízo vitalício ao capital humano das novas gerações.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.