Antártica e Groenlândia perderam 12,5 trilhões de toneladas de gelo em 44 anos
Estudo revela que o derretimento causado por águas quentes e aumento de temperatura elevou o nível do mar em 3,1 cm desde 1979.
Por Redação Diário Local
A Antártica e a Groenlândia perderam cerca de 12,5 trilhões de toneladas de gelo em um intervalo de 44 anos. O volume de degelo registrado entre 1979 e 2023 equivale, hipoteticamente, a uma camada de 1,5 metro de água congelada cobrindo toda a área continental dos Estados Unidos.
A pesquisa, publicada na revista Scientific Data, utilizou dados de observação por satélite para rastrear o fenômeno. Os pesquisadores indicam que o derretimento é impulsionado não apenas pelo aumento da temperatura do ar, mas também pelo contato de águas oceânicas mais quentes com o gelo, o que provoca o degelo pelas laterais e pela parte inferior das calotas polares.
Esse fator é responsável por cinco sextos da redução da massa das calotas, o que gera o desprendimento de geleiras que avançam em direção ao oceano. Desde 1979, o derretimento causou uma elevação de aproximadamente 3,1 centímetros no nível do mar.
Quais os riscos das inundações?
Para cada centímetro de aumento no nível do mar, entre 2 milhões e 3 milhões de pessoas podem passar a enfrentar inundações pelo menos uma vez por ano. O dado é apresentado pela cientista Ines Otosaka, especialista em gelo pela Universidade de Northumbria, uma das autoras do estudo.
A análise foi realizada por meio de 45 levantamentos independentes vindos de diversas missões espaciais e o uso de 27 satélites, incluindo equipamentos da Nasa. O material permitiu identificar mudanças no comportamento das calotas ao longo das décadas.
Os pesquisadores observaram que as calotas estavam relativamente estáveis durante as décadas de 1970, 1980 e 1990. No entanto, houve um aumento intenso na perda de massa durante a década de 2010. Embora os dados entre 2020 e 2023 indiquem uma estabilização, os cientistas alertam que isso pode ser apenas uma variação climática de curto prazo e não uma mudança de longo prazo.
Onde o recuo é mais intenso?
Na Antártica, as variações observadas estão relacionadas à quantidade de neve que cai na região. Já na Groenlândia, a geleira Jakobshavn, que é uma das maiores produtoras de icebergs da região, apresenta um recuo de até 50 metros por dia.
O estudo ressalta que a perda de gelo nesses polos não é o único motivo para o aumento dos níveis dos oceanos. Outros fatores que interferem no processo são a expansão térmica da água e o derretimento de outras geleiras ao redor do mundo.
