Diário Local
Espanha

Polícia espanhola transfere imigrantes de praias para alojamento no porto de Ceuta

Governo espanhol move pessoas instaladas em praias para novas tendas no porto de Ceuta para oferecer infraestrutura básica.

Por Redação Diário Local

A polícia da Espanha iniciou, nesta sexta-feira (18), a transferência de imigrantes que viviam em condições precárias nas praias de Ceuta para um alojamento temporário no porto do enclave, no norte da África. A medida foi anunciada pela delegação do governo após a recusa da autoridade portuária local em cumprir a ordem de traslado.

A ação policial começou poucas horas depois de um tribunal rejeitar um pedido de um sindicato policial para interromper o movimento do grupo. Diante do impasse com a administração regional de Ceuta, governada por um partido de oposição, o governo central decidiu assumir o controle da instalação.

O novo alojamento montado na área portuária tem capacidade para abrigar 1.700 imigrantes. Segundo informações do governo, a estrutura oferecerá acesso a serviços básicos, como chuveiros, banheiros, alimentação e camas novas para os usuários.

Imagens registraram a atuação da polícia para conter aglomerações de pessoas que tentavam garantir uma vaga na nova estrutura. Embora o número exato de pessoas instaladas nas praias de Ceuta ainda seja desconhecido, as autoridades acreditam que o contingente atual é superior à capacidade total de vagas oferecidas no porto.

A crise no enclave, que possui 80 mil habitantes, intensificou-se após a entrada de dezenas de milhares de migrantes no fim de julho. Embora a maioria tenha retornado ao Marrocos, milhares de pessoas permanecem no território em situação de vulnerabilidade.

Há uma divergência nos dados sobre o volume de pessoas no local. Enquanto autoridades locais calculam que 13 mil migrantes permanecem em Ceuta, o governo central trabalha com uma estimativa significativamente inferior. O cenário tem gerado episódios de tensão e protestos da população local, que exige o retorno à normalidade.

O processo de movimentação no enclave também enfrenta desafios logísticos e jurídicos. Há um registro de tensão anterior, ocorrido há uma semana, quando a transferência de 800 pessoas para outro alojamento improvisado, chamado Los Rosales, resultou em tumulto.

Pela legislação vigente, o governo central precisa realizar a identificação individual de cada migrante para determinar se há direito ao asilo ou se a pessoa pode ser devolvida. O procedimento exige cuidados específicos para os milhares de menores de idade que demandam proteção especial conforme as normas internacionais.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.