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Oito navios dão meia-volta no Estreito de Ormuz e expõem tensão sobre controle iraniano

Embarcações que deixavam o Golfo Pérsico foram forçadas a mudar de rota entre sexta e sábado, evidenciando a disputa entre Irã e EUA pelo controle da hidrovia estratégica.

Por Diário Local

Pelo menos oito navios que tentavam deixar o Golfo Pérsico deram meia-volta entre sexta-feira (3) e sábado (4), sinalizando que a reabertura do Estreito de Ormuz permanece frágil pela disputa de controle entre Irã e Estados Unidos sobre a hidrovia estratégica.

Os navios — entre eles petroleiros, graneleiros e embarcações de transporte de veículos — foram vistos navegando em direção ao Estreito de Ormuz pelos dados de rastreamento marítimo. Alguns chegaram até a Península de Musandam, que avança sobre o estreito, antes de invertarem a rota bruscamente.

Um navio de petróleo bruto, dois navios de derivados e um graneleiro seguiram então para o norte, adotando a rota de saída determinada pelo Irã. O movimento é o mais recente sinal de que a reabertura do corredor continua complicada pela tentativa iraniana de reafirmar seu controle sobre a hidrovia.

As razões exatas do recuo dos navios permanecem desconhecidas. Porém, o Irã vem reafirmando repetidamente que as embarcações só devem cruzar o estreito pela rota que a República Islâmica autoriza.

Nos últimos meses, navios que tentaram sair do Golfo Pérsico relataram ter recebido alertas por rádio das forças iranianas exigindo autorização de Teerã para a travessia. Alguns navios sofreram ataques após prosseguirem com a viagem, o que ampliou a preocupação com a coordenação dos trânsitos.

Acordo e disputa contínua

Apesar de um acordo firmado em meados de junho entre EUA e Irã para reabrir o estreito, Teerã continua reivindicando controle sobre o corredor estratégico. Os Estados Unidos, por sua vez, seguem apoiando a passagem de embarcações pela costa de Omã, uma rota alternativa que contorna a zona de influência iraniana.

A disposição das empresas de transporte e tripulações em assumir os riscos dessa disputa é crucial para a normalização do mercado global de petróleo. O comportamento das embarcações sinaliza se a rota permanecerá aberta de forma sustentável ou se novas restrições surgirão.

Desde segunda-feira (29), cerca de 34 navios de commodities cruzaram o estreito por dia, em média. Este é um avanço relevante em relação aos períodos mais críticos do conflito, quando o fluxo de navios foi significativamente reduzido.

Porém, o volume continua bem abaixo dos níveis observados antes da escalada de tensões no Golfo Pérsico. A recuperação lenta aponta que riscos percebidos por armadores e seguradoras ainda desencorajam passagens mais frequentes.

Entre 30 de junho e 1º de julho, 65 navios cruzaram pelo lado de Omã, dos quais 59 contaram com apoio dos EUA, segundo dados do Joint Maritime Information Center. O padrão mostra que a maioria das embarcações que arriscam a travessia o faz com cobertura de proteção norte-americana.

A oscilação no número de navios que cruzam a hidrovia reflete a incerteza que ainda paira sobre o corredor. Enquanto o acordo entre Washington e Teerã abriu a possibilidade de circulação, a disputa por controle mantém a rota instável.

O impasse deixa em suspenso a questão sobre qual das duas rotas — a autorizada pelo Irã ou a apoiada pelos EUA — se tornará a dominante nos próximos meses. A resposta dependerá tanto das ações de ambos os países quanto das decisões das companhias de navegação e seguradoras.

Enquanto isso, a preocupação com a normalização do comércio marítimo global persiste. O Estreito de Ormuz é um dos corredores mais críticos para o petróleo internacional, e qualquer restrição duradoura pode impactar os preços globais e a estabilidade dos mercados.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.