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Funeral do líder supremo do Irã reúne centenas de milhares em Teerã em clima de tensão com EUA

Centenas de milhares compareceram à cerimônia de homenagem ao aiatolá Ali Khamenei, morto em ataque aéreo em 28 de fevereiro. Participantes pediram vingança contra Israel e EUA.

Por Diário Local

Centenas de milhares de pessoas compareceram neste sábado ao funeral do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, em Teerã. A cerimônia, que durará vários dias, reuniu enlutados que bateram no peito em sinal de luto diante do caixão coberto com a bandeira iraniana e entoaram slogans pedindo vingança contra Israel e os Estados Unidos.

Khamenei, que governou o país por décadas, morreu aos 86 anos em um ataque aéreo em 28 de fevereiro. Seu filho, o aiatolá Mojtaba Khamenei, assume agora o posto de líder supremo da teocracia iraniana num momento delicado, marcado por negociações diplomáticas internacionais e preocupações com possíveis novos ataques israelenses.

Durante a cerimônia, a multidão entoou slogans tradicionais no Irã desde a Revolução Islâmica de 1979: "Morte à América!" e "Morte a Israel!". Vários participantes carregavam uma grande bandeira com a inscrição "#MatemTrump". O Irã escolheu propositalmente o dia 4 de julho — 250º aniversário da criação dos EUA — para dar início ao funeral de Khamenei.

O funeral ocorre em momento crítico para o país. O Irã tenta usar seu controle sobre o Estreito de Ormuz, estreita entrada do Golfo Pérsico por onde passa um quinto de todo o petróleo e gás natural mundial em tempos de paz, como moeda de troca nas negociações com os Estados Unidos para um fim permanente da guerra em curso.

Alerta iraniano ao Ocidente

Enquanto a cerimônia prosseguia, o principal negociador do Irã, Kazem Gharibabadi, emitiu um alerta crítico à França e ao Reino Unido. Os dois países haviam emitido uma declaração conjunta na noite anterior sugerindo que seus militares estavam prontos para patrulhar o Estreito de Ormuz em operações de segurança.

"A segurança de Ormuz reside nos estados costeiros – os criadores da crise serão responsabilizados pelas consequências de seu aventureirismo", escreveu Gharibabadi na rede social X. "Este é um aviso sério." A declaração iraniana buscava conter a possibilidade de uma intervenção militar ocidental na região.

Posição dos EUA

O presidente dos EUA, Donald Trump, comentou sobre o funeral durante discurso realizado simultaneamente em Dakota do Sul, diante do Monte Rushmore. "Demos uma surra no Irã. Eles querem tanto um acordo. Demos a eles uma semana de folga para um funeral", afirmou o presidente americano, sugerindo que os EUA buscam explorar o momento de transição no Irã.

A declaração de Trump reflete a estratégia americana de aproveitar a morte de Khamenei e a transição de poder para pressionar o Irã nas negociações diplomáticas. O presidente não foi esquecido na cerimônia de luto em Teerã, onde manifestantes carregavam símbolos hostis aos EUA e seu líder.

O funeral do líder supremo iraniano, que durará vários dias, deve consolidar a posição de seu filho à frente da teocracia. A cerimônia marca um ponto de inflexão nas relações geopolíticas da região, com o Irã em transição de liderança enquanto enfrenta pressões externas e negociações sobre seu papel estratégico no Golfo Pérsico.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.