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Secretário do Interior dos EUA defende direito de manifestação de grupos extremistas

Doug Burgum afirmou que a liberdade de expressão garantida pela Constituição garante o direito de manifestação de grupos supremacistas.

Por Diário Local

O secretário do Interior dos Estados Unidos, Doug Burgum, afirmou neste domingo (5) que a liberdade de expressão garantida pela Constituição norte-americana assegura o direito de manifestação de grupos extremistas. A declaração foi feita após uma marcha de supremacistas brancos em Washington, durante as celebrações dos 250 anos da independência do país.

O desfile ocorreu no sábado (4), data em que os americanos comemoram a assinatura da Declaração de Independência de 1776. O evento contou com a presença de centenas de manifestantes, muitos deles com os rostos cobertos, percorrendo as ruas da capital.

Durante a marcha, os participantes carregavam bandeiras confederadas e símbolos vinculados ao grupo de orientação neofascista Patriot Front. O grupo também entoou palavras de ordem que defendiam uma suposta "retomada" do país.

Em entrevista, Burgum explicou que, embora discorde frontalmente das ideias defendidas pelo movimento, o direito de manifestação é um dos pilares da democracia americana. Segundo o secretário, a liberdade de expressão é o que torna a democracia um sistema essencialmente "desordenado".

O secretário do Interior também evitou fazer críticas diretas ao grupo ao ser questionado sobre uma possível manifestação de repúdio por parte de Donald Trump. Ele ressaltou que existem diversos discursos que considera ofensivos e reprováveis, mas que ainda assim são protegidos legalmente no país.

Durante a conversa, Burgum aproveitou para criticar candidatos progressistas que disputam cargos públicos nos Estados Unidos, utilizando o termo "comunistas" para se referir a eles.

De acordo com relatos, os integrantes do Patriot Front utilizaram o sistema de metrô da cidade e se concentraram inicialmente na estação Union Station. A partir dali, realizaram a marcha em direção à região do Capitólio.

A manifestação foi liderada por Thomas Rousseau, identificado como o fundador do grupo. O trajeto dos manifestantes seguiu as ruas centrais da capital americana durante as festividades do Dia da Independência.

A Polícia Metropolitana de Washington informou que o grupo percorreu áreas próximas ao Capitólio por um curto período. De acordo com o órgão de segurança, os manifestantes deixaram a cidade antes das 11h.

Em nota oficial, a corporação afirmou que reconhece o direito a manifestações pacíficas. A polícia reiterou o compromisso de garantir a segurança de todos os moradores e visitantes da capital durante os eventos.

O grupo Patriot Front tem origem ligada à manifestação "Unite the Right", realizada em 2017, na cidade de Charlottesville, no estado da Virgínia. Naquela ocasião, nacionalistas brancos de diversas regiões se reuniram para protestar.

O evento em Charlottesville terminou em tragédia quando um veículo avançou contra um grupo de contramanifestantes. O ataque resultou na morte de uma mulher e deixou outras 19 pessoas feridas.

O episódio de 2017 gerou repercussão política na época. O ex-presidente Donald Trump foi alvo de críticas por ter levado cerca de dois dias para comentar o ocorrido, afirmando na ocasião que havia "pessoas muito boas dos dois lados" nos protestos.

A marcha deste sábado ocorreu em um contexto de celebração nacional, mas levantou discussões sobre o limite entre o direito de manifestação e a presença de grupos de supremacia branca no espaço público.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.