EUA redirecionam US$ 52 milhões em verba militar para Colômbia, Equador, Peru e Panamá
Recursos que seriam destinados à Europa e ao Oriente Médio serão usados para combate ao narcotráfico na América Latina.
Por Redação Diário Local
O governo dos Estados Unidos pretende redirecionar US$ 52 milhões (cerca de R$ 268 milhões) em recursos militares para quatro países da América Latina: Colômbia, Equador, Peru e Panamá. A mudança foi comunicada pelo Departamento de Estado ao Congresso americano nesta terça-feira (15).
Os verbas, que seriam originalmente destinadas à Tunísia, Eslováquia, Macedônia do Norte e Iraque, serão aplicadas em equipamentos, treinamento e assistência técnica. O objetivo é o combate ao narcotráfico e ao que Washington classifica como "narcoterrorismo", além de conter a influência de adversários dos EUA na região.
A medida ocorre após a visita do secretário de Estado, Marco Rubio, à Colômbia, ao Equador e ao Peru. Durante a viagem, o governo americano anunciou novos acordos de segurança e defesa com essas nações para ampliar a presença de Washington no Hemisfério Ocidental.
Embora o montante seja considerado pequeno frente ao orçamento total de Financiamento Militar Estrangeiro dos EUA — que recebeu US$ 6,16 bilhões em 2026 —, a redistribuição sinaliza uma alteração nas prioridades geográficas da política externa americana.
Brasil não recebe recursos e é alvo de críticas
O Brasil não está entre os países contemplados com o novo financiamento militar. A ausência do país ocorre em um momento de críticas de Washington à gestão brasileira no enfrentamento ao crime organizado.
Em documento enviado ao Congresso nesta semana, o presidente Donald Trump afirmou que o governo brasileiro falhou em confrontar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). O presidente americano classificou as facções como organizações terroristas estrangeiras e apontou o Brasil como centro de distribuição de cocaína.
Na mesma declaração, Trump elogiou governos que ampliaram a cooperação com os Estados Unidos. Argentina, Equador e El Salvador foram citados como aliados no combate ao narcoterrorismo, enquanto o Peru recebeu destaque pela disposição de Keiko Fujimori em atuar contra o crime organizado.
A estratégia de aproximação também passa pelo Escudo das Américas, coalizão liderada pelos EUA que reúne Colômbia, Peru, Argentina, Equador e El Salvador. Já a Colômbia, embora listada como país de trânsito ou produção de drogas, foi apontada como candidata a mudar a relação caso avance no combate ao narcotráfico.
