Lula contesta classificação de facções como terroristas feita pelo governo Trump
Presidente afirma que o verdadeiro terrorismo foi o ataque de 8 de janeiro e as tentativas de golpe de Estado no país
Por Redação Diário Local
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta sexta-feira (18), que não aceita a classificação das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A declaração rebate o posicionamento do governo de Donald Trump, nos Estados Unidos, que considera os grupos como organizações terroristas estrangeiras.
A fala ocorreu no Rio de Janeiro (RJ), durante um evento de apresentação de ações integradas para o enfrentamento ao crime organizado. Lula argumentou que o termo "terrorismo" deve ser aplicado aos ataques golpistas de 8 de janeiro e aos planos de assassinato de autoridades que visavam manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder após as eleições de 2022.
O presidente classificou a visão do governo americano como um conceito de "terrorismo de Estado". Segundo ele, a disputa pelo poder e as tentativas de golpe representam essa prática. Lula citou, como exemplo, os planos que previam o assassinato de autoridades, incluindo o ministro Alexandre de Moraes, além de si mesmo e do vice Geraldo Alckmin.
O embate diplomático ganhou força após o governo de Donald Trump criticar o Brasil na última quarta-feira (16). Na ocasião, a Casa Branca alegou que o país falhou no combate às facções PCC e CV, tratando o território nacional como um "centro de distribuição global de cocaína".
Durante o evento no Rio de Janeiro, o presidente reforçou que o objetivo do governo é derrotar o crime organizado para garantir tranquilidade à população, especialmente nos bairros periféricos. Ele destacou que o trabalho de integração entre as forças de segurança estaduais e federais no Rio de Janeiro funciona como um "plano piloto".
A estratégia de cooperação apresentada baseia-se em três frentes complementares. A primeira envolve a proteção integrada de corredores logísticos, em parceria entre o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e o estado do Rio de Janeiro.
A segunda frente foca na política de recuperação territorial, também realizada em conjunto com o MJSP e o governo estadual. A terceira frente visa fortalecer a capacidade de segurança nos municípios, por meio de parcerias com o ministério para atuar diretamente nas cidades.
Lula defendeu que o modelo de atuação conjunta entre a Polícia Militar (PM), a Polícia Civil (PC), a Polícia Federal (PF), a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e as polícias municipais pode ser expandido. "Se der certo no Rio, vai dar certo em todo o território nacional", pontuou o presidente.
O titular do Planalto também mencionou o compromisso de desocupar territórios controlados pelo crime. Ele destacou que a criação do Ministério da Segurança Pública é uma das metas, dependente da aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública no Congresso Nacional.
Para o governo, o plano de ação para retomar o controle das áreas urbanas consiste em três etapas fundamentais. A primeira etapa é sufocar a logística e a mobilidade das facções criminosas.
A segunda etapa prevista é a retomada efetiva dos territórios dominados por grupos criminosos. O objetivo é garantir que a sociedade possa circular com mais segurança nessas regiões.
A terceira etapa foca no fortalecimento do papel e da capacidade de resposta das capitais e das cidades com maior número de habitantes. A estratégia busca integrar as esferas de poder para uma atuação coordenada.
O presidente reiterou que os integrantes de facções praticam terrorismo contra a população ao causar medo e insegurança. A proposta visa substituir o controle das facções por um "novo padrão de segurança" em todo o país.
O projeto de integração das polícias busca unir forças para dar tranquilidade aos moradores das periferias. A coordenação entre União, Estado e município é o pilar central da nova estratégia de combate ao crime organizado apresentada nesta sexta-feira (18).
