Keiko Fujimori discursa como vencedora de fato no Peru e promete unir país 'dividido ao meio'
Com 44 mil votos de vantagem e 99,87% das urnas apuradas, ela aguarda validação da autoridade eleitoral e anuncia planos para o primeiro gabinete.
Por Diário Local
Keiko Fujimori discursou nesta quarta-feira (24), em Lima, na condição de vencedora de fato do segundo turno das eleições presidenciais do Peru e prometeu unir o país, que, segundo ela, está "praticamente partido ao meio". Com 99,87% das urnas apuradas, ela lidera a contagem com 44 mil votos de vantagem sobre o rival Roberto Sánchez — margem que torna matematicamente impossível uma virada.
O resultado, no entanto, ainda aguarda validação do JEE (Jurado Electoral Especial), a autoridade eleitoral peruana responsável por julgar pedidos de impugnação apresentados pelos candidatos. A declaração oficial do vencedor está prevista para ocorrer até meados de julho.
"Estamos cientes de que o Peru está dividido, de que está praticamente partido ao meio", disse Fujimori em entrevista coletiva. Sem declarar vitória formalmente, ela detalhou os primeiros passos de um eventual governo. "A partir de 28 de julho [dia da posse], o que vocês verão serão ações e decisões tomadas não apenas para restaurar a ordem, mas para combater o crime e também para trazer progresso", afirmou.
A candidata anunciou que fará uma "convocação aberta" a tecnocratas experientes para compor o primeiro gabinete, em linha com as promessas de campanha de combater a criminalidade e enfrentar a profunda desigualdade do país.
Quarta tentativa de conquistar a presidência
Fujimori, de 51 anos, está na quarta tentativa de conquistar a presidência do Peru. Filha do ex-ditador Alberto Fujimori, ela representa uma das forças políticas mais dominantes e polarizadoras do país nas últimas três décadas, inspirando tanto lealdade fervorosa quanto hostilidade profunda entre os eleitores de uma nação marcada por crises políticas quase constantes.
A vantagem sobre Sánchez, adversário de esquerda, se consolidou na noite de terça-feira. O segundo turno havia sido realizado em 7 de junho, mas sua definição demorou semanas por conta de contestações de cédulas e da chegada tardia de votos do exterior.
Observadores internacionais afirmaram que a eleição transcorreu normalmente, apesar das contestações sobre as cédulas.
Rival alega fraude sem apresentar provas
Na terça-feira, Sánchez alegou, sem apresentar provas, que houve fraude no processo eleitoral e declarou que não reconheceria um eventual governo Fujimori.
Questionada sobre as declarações do adversário, Fujimori se recusou a respondê-las diretamente. Ela afirmou que, como o país saiu fragmentado da eleição, "as opiniões de Sánchez e de seu partido, com quem competimos, também serão importantes para iniciar esse processo de reunificação como peruanos".
A esperada vitória marcaria o retorno de uma das forças políticas mais influentes e polarizadoras do Peru após décadas de intensa divisão no país.
