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Mandíbula de Homo sapiens com marca de esfaqueamento é encontrada em caverna de Israel

Pesquisadores identificaram os vestígios de um ataque ocorrido há cerca de 100 mil anos, que pode ser a evidência mais antiga de violência interpessoal

Por Redação Diário Local

Pesquisadores encontraram uma mandíbula de Homo sapiens com marcas de esfaqueamento na caverna de Qafzeh, em Israel. O achado, que data de aproximadamente 100 mil anos, é considerado pelos especialistas como a evidência mais antiga de violência interpessoal registrada até o momento.

A descoberta foi liderada por especialistas do Centro Nacional de Pesquisa da Evolução Humana, da Espanha, e os resultados foram publicados na revista Scientific Reports em 30 de junho. O local onde o fóssil foi encontrado é o mesmo que já abrigou os primeiros exemplares de Homo sapiens fora do continente africano.

Como foi identificado o ataque?

A análise foi realizada nos ossos do fóssil Qafzeh 25, que pertence a um homem adulto. Para o estudo, foram utilizadas técnicas de tomografia microscópica e microtomografia computadorizada, que permitiram identificar um corte transversal na mandíbula inferior esquerda, atingindo os pré-molares e parte da maxila.

Os pesquisadores acreditam que o corte foi causado por uma ferramenta de pedra afiada, característica da Idade da Pedra. O estudo aponta que o ataque foi deliberado devido à localização da lesão, no lado esquerdo do rosto. Segundo os cientistas, lesões craniofaciais em confrontos frente a frente costumam ocorrer no lado esquerdo do crânio, o que sugere a predominância de agressores destros.

Diferente de outros achados de marcas de cortes que podem ser atribuídos a acidentes de caça, o caso de Qafzeh 25 reforça a hipótese de violência entre indivíduos da mesma espécie.

O indivíduo sobreviveu ao ferimento?

Os exames mostraram que o ataque não causou a morte imediata do homem. A região óssea da mandíbula apresentava sinais de cicatrização, o que evidencia que o indivíduo sobreviveu ao ferimento por algum tempo.

A descoberta traz novos elementos para o debate científico sobre a origem de comportamentos complexos, incluindo a violência interpessoal, as práticas funerárias e o cuidado com indivíduos feridos ou doentes em sociedades primitivas, conforme analisado pela primeira autora do estudo, Ana Pantoja Pérez.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.