Presença de Gianni Infantino na Copa do Mundo é marcada por interferência de Donald Trump
Esforço do presidente da Fifa para marcar presença em jogos foi ofuscado por episódio envolvendo o presidente dos Estados Unidos
Por Davy Albuquerque
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, buscou consolidar uma imagem de proximidade com o futebol ao acompanhar de perto a Copa do Mundo de 2026, mas viu sua estratégia ser ofuscada por uma interferência de Donald Trump. O presidente dos Estados Unidos afirmou ter acionado o dirigente da Fifa por telefone para interceder após a expulsão do jogador Folarin Balogun nas fases iniciais do mata-mata.
A declaração de Trump alterou a narrativa de protagonismo que Infantino tentava construir durante o torneio. O episódio transformou o cartola em coadjuvante de uma Copa onde a figura do presidente americano ganhou destaque fora de campo, mesmo sem ter comparecido presencialmente a nenhuma partida até o momento.
A Fifa admitiu que possui um acordo com a Host Broadcast Service para a exibição de "dignitários" nos telões dos estádios, o que pode explicar a presença da imagem do presidente da entidade nas transmissões para bilhões de pessoas. A entidade, no entanto, não confirma que exista uma exigência para que a imagem de Infantino seja exibida sempre que ele estiver presente em um estádio.
Durante o Mundial, Infantino manteve um esforço para estar perto da ação e fortalecer laços com dirigentes de federações. Nas duas primeiras semanas da competição, o dirigente esteve presente em 24 dos 72 jogos realizados, chegando a acompanhar duas partidas no mesmo dia.
Como a interferência de Trump impactou a Fifa?
A confessa interferência política de Trump no episódio envolvendo o jogador Folarin Balogun mudou o foco da gestão de Infantino. O que deveria ser um esforço de imagem pessoal acabou sendo absorvido pelo protagonismo do líder dos Estados Unidos.
Especialistas apontam que a postura de submissão diante de Donald Trump pode afetar os objetivos políticos que o presidente da Fifa buscava com sua presença constante nos jogos. A relação entre os dois líderes segue sem registros de encontros ou fotos conjuntos durante a Copa.
Presença e estratégia nos estádios
A estratégia de Infantino visava criar uma imagem de proximidade com o esporte, acompanhando o desenrolar das partidas de perto. A Fifa confirmou o empenho do dirigente para estar próximo aos eventos para fortalecer o relacionamento com os membros das federações envolvidas.
Apesar da intensa presença de Infantino nos gramados e nas transmissões de TV via acordos de exibição de autoridades, o tom do torneio foi dominado pelo contexto político envolvendo a Casa Branca, deixando a imagem do presidente da Fifa em segundo plano.
