Saída dos EUA do Iraque deixa vácuo de segurança e gera temor na região curda
Retirada das tropas americanas aumenta pressão do governo iraniano sobre a região autônoma do Curdistão e acirra divisões internas.
Por Redação Diário Local
A retirada das tropas dos Estados Unidos do Iraque, finalizada na semana passada (29), gerou um vácuo de segurança que ameaça a autonomia da região curda semiautônoma no território iraquiano. Enquanto o governo central em Bagdá celebrou o fim da missão militar, a capital de Erbil enfrenta uma crescente pressão de vizinhos, especialmente do Irã, e de Bagdá para a centralização do poder.
O primeiro-ministro iraquiano, Ali al-Zaidi, estabeleceu o dia 1º de outubro como o Dia da Soberania e Independência. A medida foi apoiada pelo governo iraniano, pela Guarda Revolucionária Islâmica e por milícias xiitas ligadas a Teerã, mas é vista com preocupação pelos líderes curdos.
Como o Irã atua na região?
A estratégia iraniana em relação à Região do Curdistão do Iraque (KRI) não foca em uma invasão em larga escala, mas em uma redução gradual de sua autonomia política. O objetivo de Teerã seria transformar a região em uma instituição puramente administrativa, sem margem para decisões independentes.
A ocorrência de ataques com drones e mísseis em acampamentos de oposição curda é vista como uma ferramenta de pressão. O Irã busca manter um Curdistão "controlado e fraco", agindo de forma a impedir que as autoridades curdas se consolidem como uma potência na fronteira ocidental do país.
A fragilidade da divisão interna
Para além das ameaças externas, a principal vulnerabilidade da região curda é a disputa política entre o Partido Democrático do Curdistão (KDP) e a União Patriótica do Curdistão (PUK). Esse histórico de rivalidade interna facilita a interferência de potências estrangeiras.
Especialistas alertam que, sem uma frente política unida, a fragmentação dos líderes curdos pode levar ao colapso da região como entidade política. A desunião entre as facções abre espaço para que o Irã amplie sua influência política dentro do território iraquiano.
A influência econômica dos Estados Unidos
Apesar da saída militar, os Estados Unidos mantêm um papel de influência por meio do sistema financeiro. A dependência do Iraque em relação ao dólar permite que Washington atue como um observador econômico, influenciando assuntos internos de Bagdá.
Essa conexão financeira é fundamental para garantir o funcionamento da região, incluindo o pagamento de salários de funcionários públicos no Curdistão. Esse mecanismo funciona como um contrapeso econômico à crescente presença iraniana na área.
