Javier Milei volta a criticar Lula e aumenta tensão diplomática entre Brasil e Argentina
Presidente da Argentina chamou o presidente brasileiro de ladrão e corrupto em entrevista; Itamaraty já havia convocado embaixador.
Por Redação Diário Local
O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a criticar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em entrevista concedida à emissora argentina LN+. Durante a conversa, o mandatário argentino chamou o brasileiro de "ladrão" e "corrupto", além de questionar a decisão judicial que anulou as condenações do petista em 2019.
Milei afirmou que Lula "não é inocente" e defendeu que o político foi liberado por uma "falha no processo jurídico". Ao justificar os ataques, o presidente argentino declarou que as falas foram "palavras espontâneas" e que é "muito menos grave chamar um ladrão de ladrão do que cometer o ato de roubar".
As novas declarações elevam a tensão diplomática entre Brasil e Argentina. O episódio ocorre poucos dias após o governo brasileiro ter chamado o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, para consultas, em resposta a ataques anteriores feitos pelo argentino.
Na semana passada (26), durante um evento político em São Paulo para apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), Milei já havia utilizado termos como "presidiário" e "lixo socialista" para se referir a Lula. Na ocasião, o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) convocou o embaixador da Argentina em Brasília, Daniel Raimondi, para manifestar o descontentamento oficial do Brasil.
O Supremo Tribunal Federal (STF) anulou as condenações de Lula pela Justiça Federal do Paraná no âmbito da Operação Lava Jato, após o político passar um ano e meio preso. O plenário da Corte entendeu que a condução das investigações nos casos do triplex do Guarujá, do sítio de Atibaia e das doações ao Instituto Lula foi parcial.
O presidente Lula reagiu às ofensas recentes classificando a participação de Milei em eventos no Brasil como uma "patacoada". Em ato do Partido dos Trabalhadores (PT), o presidente brasileiro afirmou que não aceitará interferências externas no processo político do país e disse que mantém sua conduta de "chefe de Estado com o Estado".
Até o momento, o governo brasileiro não divulgou uma nova resposta oficial específica sobre as falas mais recentes de Milei. O chanceler Mauro Vieira havia declarado anteriormente que o Brasil considera os episódios graves, mas descartou, por ora, medidas mais duras, como a retirada permanente de representantes diplomáticos.
Apesar do crescente confronto político entre os dois líderes, os laços comerciais e institucionais entre Brasil e Argentina seguem mantidos. As relações entre os governos passam por um de seus momentos de maior desgaste nos últimos anos.
