Jornal britânico compara família Bolsonaro a Trump e aponta estilo de política paranoico
Reportagem do Financial Times analisa perfil de membros da família e descreve cenário de rivalidade interna no grupo político.
Por Redação Diário Local
Uma reportagem publicada pelo jornal britânico Financial Times neste domingo (27) comparou o núcleo político da família Bolsonaro ao clã de Donald Trump, nos Estados Unidos. O texto descreve o grupo como radical e disfuncional, afirmando que o clã oscila entre o conservadorismo e o caos, praticando um estilo de política considerado paranoico.
A análise internacional contextualiza a trajetória dos familiares no cenário das eleições brasileiras de 2026. Segundo a publicação, o grupo personifica o espírito político da década de 2020 ao fundir elementos de celebridades, redes sociais e a busca pelo poder.
O texto destaca rivalidades internas, exemplificadas por críticas feitas pela candidata ao Senado, Michelle Bolsonaro (PL), ao enteado e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A dinâmica familiar é descrita como tendo um clima de "telenovela", marcado por tensões entre seus membros.
Como é o perfil dos integrantes da família?
A reportagem detalha o papel de cada um no grupo. Flávio Bolsonaro é apresentado como alguém que busca representar uma ala moderada, mas enfrenta questionamentos por não ter exercido cargo executivo. Já Carlos Bolsonaro é apontado como o responsável pela estratégia de redes sociais e pela linguagem agressiva da base radical.
Eduardo Bolsonaro é classificado como o ideólogo radical alinhado ao modelo de Donald Trump. Michelle Bolsonaro é descrita como uma figura de expressiva influência e um "porto seguro" para o marido, Jair Bolsonaro, que se encontra em prisão domiciliar. Caso eleita ao Senado, ela poderia ganhar alcance nacional para futuros projetos.
O cenário da campanha de 2026
A análise aborda o impacto de escândalos financeiros e o uso de inteligência artificial na campanha. Entre os episódios citados, está o vazamento de um áudio no qual Flávio Bolsonaro pede recursos ao fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, para financiar o filme "Dark Horse", cinebiografia sobre Jair Bolsonaro protagonizada por Jim Caviezel.
O jornal também relaciona os eventos à atuação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), apontando-o como figura central no processo judicial contra o ex-presidente. O episódio envolvendo o financiamento do filme teria sido usado por Flávio para tentar desviar a atenção de investigações em curso.
Por fim, a publicação indica que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro teria como prioridades a anistia e a libertação do pai. Em contrapartida, o texto observa que, em caso de derrota, aliados e o próprio ex-presidente admitem que a influência do grupo pode diminuir, abrindo espaço para lideranças moderadas da direita, como Tarcísio de Freitas (Republicanos).
