Jornalistas enfrentam riscos de explosões e ataques para cobrir guerra na Ucrânia
Profissionais utilizam coletes e capacetes para trabalhar próximos ao front e garantem continuidade de veículos locais.
Por Redação Diário Local
Jornalistas que atuam próximos às linhas de frente na guerra da Ucrânia enfrentam riscos de morte constantes e precisam utilizar equipamentos de proteção pesada para realizar o trabalho de campo. A atividade exige o uso de coletes de identificação, capacetes e proteções contra estilhaços para garantir a segurança em áreas de combate.
As equipes de reportagem que viajam para as zonas de conflito contam com o suporte de seguranças e de produtores locais, conhecidos como fixers. Antes de ingressar em áreas de risco, os profissionais passam por preparação técnica que inclui o uso de kits médicos e equipamentos de proteção fornecidos por sindicatos da categoria.
A rotina das redações também foi transformada pelo conflito. Em cidades próximas ao front, como Isium, veículos de comunicação já foram alvo de ataques diretos. Uma sede de jornal local foi atingida por explosões russas que destruíram janelas e provocaram pânico entre os funcionários do edifício.
Mesmo com os ataques, o jornal de Isium, que publica desde 1919, mantém suas atividades operacionais. A redação preserva uma edição impressa para atender principalmente moradores idosos que não possuem acesso à internet, com o editor-chefe realizando a entrega manual dos exemplares pelas ruas.
O ambiente de trabalho dentro das redações ucranianas reflete o cenário de guerra. Nas mesas de edição, é comum encontrar equipamentos para o monitoramento de drones convivendo com coletes e capacetes utilizados pelos repórteres durante as coberturas.
Do lado russo, o risco para a imprensa manifesta-se por meio da pressão estatal e da perseguição profissional contra veículos independentes. O caso de Dmitry Muratov, fundador do jornal Novaya Gazeta, exemplifica o perigo enfrentado por quem busca manter a liberdade de expressão no país.
O jornal Novaya Gazeta, que foi fundado em 1993, registrou a morte de seis jornalistas de seu quadro desde a sua criação. Para Muratov, o trabalho da imprensa deve atuar para diminuir a crueldade, mesmo diante de ameaças e da violação do direito fundamental à vida.
Para os profissionais que permanecem no território ucraniano, o exercício do jornalismo é visto como uma missão de resistência. A atuação em meio a explosões e drones busca garantir que os acontecimentos sejam registrados de forma direta por quem vivencia a realidade do conflito.
