Juíza critica conduta do Departamento de Justiça dos EUA por remoção de árvores em campo de golfe
Juíza federal Ana Reyes afirmou estar decepcionada com o governo após remoção de cerca de 500 árvores sem aviso prévio.
Por Redação Diário Local
A juíza federal Ana Reyes afirmou nesta segunda-feira (12) que está "furiosa" e "profundamente decepcionada" com a conduta de advogados do Departamento de Justiça dos Estados Unidos. A crítica ocorre durante uma ação judicial que tenta impedir o governo de Donald Trump de realizar reformas no East Potomac Golf Links, campo de golfe histórico em Washington.
A magistrada classificou como "indesculpável" a remoção de cerca de 500 árvores do campo, iniciada na última sexta-feira (9). Segundo Reyes, o governo descumpriu uma ordem emitida em maio, que exigia a notificação prévia do tribunal sobre qualquer obra de construção de grande porte no local.
Durante a audiência, a juíza questionou o escritório do Departamento de Justiça sobre a aceitabilidade da medida. Ela afirmou que a falta de comunicação com o grupo de preservacionistas que move a ação custou ao governo a sua credibilidade no processo judicial.
Em sua defesa, a advogada do Departamento de Justiça, Marissa Piropato, afirmou que os advogados do governo tentaram reunir detalhes sobre a remoção das árvores para apresentá-los em documento judicial. A juíza rebateu a afirmação, declarando que a conduta do órgão foi a pior possível.
O que diz a Liga de Preservação
A Liga de Preservação de Washington, D.C., que entrou com o processo em fevereiro de 2026, alega que as reformas desrespeitam leis ambientais. O grupo sustenta que o objetivo é destruir um patrimônio histórico para transformar um espaço público de lazer em um campo de golfe exclusivo e de alto padrão.
O governo, por sua vez, solicitou em documento de nesta sexta-feira (9) o indeferimento do processo. A defesa argumenta que a ação é prematura, alegando que o projeto de reforma do campo centenário ainda está em estágio inicial e conceitual.
O Serviço Nacional de Parques, órgão administrado pelo Departamento do Interior, afirmou na audiência que a retirada das árvores visa melhorar a segurança e restaurar o projeto original do parque. Segundo o funcionário Kevin Griess, a atividade faz parte de um planejamento de 2019, anterior à gestão de Donald Trump.
Suspensão das obras
Após pedido de emergência feito pela Liga de Preservação no domingo (11), a juíza emitiu uma ordem temporária suspendeu qualquer remoção de árvores até a manhã desta terça-feira (13). Reyes indicou que pretende prorrogar a suspensão por um período mais longo.
