Mulher sobrevive 48 horas sob escombros na Venezuela concentrando-se na respiração
Andrea, de 23 anos, manteve a calma durante quase dois dias soterrada após terremotos consecutivos no estado de La Guaira. Voluntário conhecido como 'A Toupeira' já resgatou 16 pessoas vivas na tragédia.
Por Diário Local
Andrea Canónico, 23 anos, sobreviveu quase 48 horas soterrada sob os escombros de um prédio na Venezuela após dois terremotos consecutivos. Presa em um espaço que lhe permitia ficar sentada, a jovem concentrou-se em técnicas de respiração para manter a calma enquanto aguardava o resgate no estado de La Guaira.
"O principal de tudo foi que eu não me desesperei", relatou Andrea à agência AFP. "Pensei: 'Vou dormir.' Certamente vai continuar tremendo. Vou ficar tranquila, não vou me desesperar por causa da respiração." O celular que estava com ela durante todo esse tempo lhe permitiu conhecer as horas e iluminar o local onde estava presa.
Acima de Andrea havia um homem com quem ela conseguiu se comunicar. Quando esse homem foi resgatado no dia seguinte, avisou aos socorristas que a jovem aguardava por ajuda. "Acima de mim havia um buraco, por onde consegui passar. Passei por um móvel e consegui chegar ao outro buraco que os socorristas estavam fazendo. Fui escalando por ali e eles foram me puxando", descreveu, com os braços enfaixados até os cotovelos.
Voluntário resgata dezenas de pessoas
Moisés Faramaya, 26 anos, é um dos principais voluntários nas operações de resgate em La Guaira. Conhecido como "A Toupeira", ele afirma ter resgatado 16 pessoas vivas e 22 corpos na área do desastre. Sua experiência vem de seis anos trabalhando em minas de El Callao, no estado de Bolívar, região rica em ouro e pedras preciosas.
"Tem alguém vivo aqui?", grita repetidas vezes enquanto escava. "Bati duas vezes e ouvi alguém arranhando uma parede. A pessoa estava presa e conseguia mexer a mão. E eu a retirei com vida", contou Faramaya, que quase não come nem dorme durante os trabalhos. Bombeiros e especialistas em resgate requisitam sua ajuda constantemente.
"O trabalho não é fácil, a poeira, o cheiro de corpos se decompondo... Mas estamos perseverando", comentou o voluntário, que usa breves intervalos apenas para fumar e manter-se ativo.
Esperança renovada entre familiares
Dias após os terremotos, autoridades acreditavam que todos os moradores de alguns prédios estavam mortos. Equipes de resgate americanas e cães farejadores espanhóis encontraram sinais de vida, reaçendendo a esperança de dezenas de familiares.
O garçom Alexander García, 44 anos, vivia à expectativa de se reencontrar com dois irmãos. Havia ouvido bombeiros declararem "Código 14", que segundo afirmou significa morte confirmada para todos os moradores. "A emoção de que estejam vivos renasceu", descreveu García, cuja mãe foi resgatada mas faleceu posteriormente.
Na segunda-feira anterior, apenas três pessoas foram resgatadas com vida, e um menino foi retirado dos escombros até a tarde de terça. Quase uma semana após a tragédia, os trabalhos de resgate continuam em Los Corales com o auxílio de lanternas, sob os olhares de dezenas de familiares. Uma tempestade atingiu a região na madrugada de terça e levou à suspensão temporária das buscas.
