OMS reforça importância da vacinação após Trump reduzir calendário de imunização nos EUA
Instituição ressalta que cronogramas de imunização são baseados em evidências científicas e análise de riscos de doenças.
Por Redação Diário Local
A Organização Mundial da Saúde (OMS) reforçou a importância das campanhas de vacinação após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinar uma ordem executiva que reduz o calendário de imunização infantil no país. A instituição ressaltou que suas orientações são fundamentadas em análises científicas profundas para garantir a proteção contra doenças graves.
O porta-voz da OMS, Tarik Jašarević, afirmou nesta terça-feira (11) que o cronograma de doses é estabelecido por meio de anos de pesquisas globais. Segundo ele, o planejamento considera o desenvolvimento do sistema imunológico e os períodos de maior risco de contração de doenças para definir o momento ideal de cada aplicação.
O porta-voz destacou que cada vacina é recomendada conforme a necessidade de proteção, que pode variar desde o nascimento até a adolescência. Ele reiterou que todos os países devem manter grupos técnicos para formular recomendações de políticas e calendários nacionais baseados em suas próprias realidades.
De acordo com a organização, o objetivo é que os Estados utilizem as melhores evidências científicas disponíveis para oferecer aconselhamento técnico aos seus governos. A OMS espera que as nações utilizem esse suporte para manter a eficácia das estratégias de saúde pública.
A movimentação da organização ocorre após o presidente americano assinar, na segunda-feira (10), a ordem que diminui o número de vacinas recomendadas pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) de 17 para 11. Esta é a segunda tentativa de Trump de implementar a medida, uma vez que uma proposta semelhante feita em janeiro foi barrada pela Justiça dos Estados Unidos.
Donald Trump classificou o novo calendário como "padrão-ouro" e alegou que a decisão alinha o país a outras nações desenvolvidas, como a Dinamarca, que também recomendam menos vacinas. No entanto, especialistas em saúde ressaltam que os países possuem sistemas de saúde e realidades epidemiológicas distintas.
Demetre Daskalakis, ex-alto funcionário do CDC, explicou que a discussão sobre a redução deve ser feita de forma individualizada, vacina por vacina. Ele pontuou que fatores como taxas de infecção e a eficácia de programas de triagem influenciam a necessidade de imunização em massa.
Como exemplo, Daskalakis citou a vacina contra a hepatite B. Ele observou que, em locais com baixas taxas de infecção e triagem pré-natal eficiente, a estratégia de vacinação pode diferir de outros contextos, mas reforçou a necessidade de análise técnica para cada cenário.
