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Estados Unidos

Entenda por que os EUA dividem partidos entre cores azul e vermelha e como a tradição mudou

A tradição de associar democratas ao azul e republicanos ao vermelho consolidou-se no ano 2000, após décadas de variações na TV

Por Redação Diário Local

A associação das cores azul e vermelha aos partidos Democrata e Republicano, respectivamente, é um dos símbolos mais consolidados da política dos Estados Unidos, mas o padrão atual é fruto de uma construção midiática que já funcionou de forma invertida ao longo da história.

Atualmente, o avanço do Partido Democrata em disputas eleitorais, como nas recentes eleições de meio de mandato, é frequentemente descrito pelo termo "onda azul". No entanto, essa identidade visual só se tornou definitiva e universal no cenário americano após o pleito de 2000.

Nas eleições de meio de mandato conhecidas como midterms, o Partido Democrata apresentou avanço no Congresso e conquistou a maioria de governadores. A dinâmica das cores serve para mapear essas vitórias e as forças de cada legenda nos estados americanos.

Como surgiu a tradição das cores na televisão?

A origem dessa convenção está ligada à popularização da televisão colorida nos Estados Unidos, a partir da década de 1970. Antes da padronização, as cores nos mapas eleitorais variavam conforme a emissora que realizava a cobertura.

Em 1972, a rede CBS iniciou o uso de mapas coloridos para indicar quem levaria os delegados ao Colégio Eleitoral. Naquele período, a emissora atribuía o azul aos Republicanos, de Richard Nixon, e o vermelho aos Democratas, representados por McGovern.

Pouco depois, a NBC introduziu um mapa analógico revolucionário, repleto de luzes que acendiam conforme o vencedor de cada estado era declarado. Na época, os Democratas permaneciam com a cor vermelha e os Republicanos com o azul.

Produtores da NBC relataram que a escolha das cores não foi fruto de um debate profundo, mas uma possível inspiração no sistema do Reino Unido. No modelo britânico, os Trabalhistas (de esquerda) usam o vermelho e os Conservadores o azul.

A fase de incerteza e a mudança de padrão

Durante os anos 1980 e o início da década de 1990, não havia um consenso entre os canais de TV. Diferentes emissoras alternavam as cores para diferenciar os partidos, o que causava variações visuais a cada ciclo eleitoral.

Em 1980, a ABC adotou o vermelho para os Republicanos, que disputavam o cargo com Ronald Reagan. Já em 1984, tanto a ABC quanto a CBS utilizaram o vermelho para os Republicanos e o azul para os Democratas.

A NBC manteve seu padrão original até 1992, mas optou por seguir o modelo da concorrência em 1996, visando evitar a confusão entre os telespectadores. Esse movimento ajudou a aproximar as mídias de um padrão visual único.

Por que o padrão se consolidou em 2000?

A divisão cromática consolidou-se de vez durante a eleição de 2000, em uma disputa extremamente acirrada entre George W. Bush e Al Gore. A longa recontagem de votos na Flórida manteve os mapas coloridos em exibição constante na televisão.

Com a exposição prolongada, termos como "blue states" (estados azuis) e "red states" (estados vermelhos) foram incorporados pelo vocabulário de jornalistas e pelo público geral. A partir daí, os próprios partidos integraram as cores aos seus logotipos.

Atualmente, estados onde o favoritismo entre os dois partidos não é claro são chamados de "estados roxos". Já os candidatos de terceiras vias, que não pertencem ao bipartidarismo tradicional, geralmente não possuem uma cor definida nos mapas.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.