Governo da Síria suspeita que familiares de Bashar al-Assad podem estar no Brasil
Autoridades sírias suspeitam que dois primos do ex-líder estejam no país após informações passadas durante a COP30 em Belém.
Por Redação Diário Local
Autoridades da Síria suspeitam que dois primos do ex-presidente Bashar al-Assad estejam no Brasil. A suspeita foi levantada após comunicações entre a comunidade síria residente no país e a delegação de Damasco durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP30), realizada em Belém, no Pará.
Em meio à busca por figuras ligadas ao antigo governo, o novo comando sírio, liderado por Ahmed al-Sharaa, trabalha para localizar familiares do ex-mandatário que foram condenados à morte nas últimas semanas. Entre os condenados estão o próprio Bashar al-Assad, seu irmão Maher al-Assad e dois primos, Atef Najib e Wassim al-Assad.
Quem são os suspeitos no Brasil?
As investigações apontam que um dos primos de Assad é irmão de Wassim al-Assad, que foi condenado à morte em Damasco no dia 18 de agosto. O homem, que possui formação em engenharia, exerceu influência na região de Latakia, no noroeste da Síria, e ocupou uma vaga no Parlamento Sírio durante o governo da família Assad.
As autoridades sírias atribuem ao engenheiro o envolvimento em esquemas de contrabando e tráfico no porto de Latakia. Além disso, no início deste mês (agosto), o governo sírio solicitou o congelamento de seus bens sob a acusação de apoiar uma milícia que atua no país.
O segundo familiar que pode estar no território brasileiro é identificado como filho de Rifaat al-Assad. Ele possui um histórico de sanções internacionais aplicadas pela União Europeia, Mônaco, Suíça, Bélgica e França, devido à sua ligação com o antigo governo.
Obstáculos diplomáticos
A resolução do caso enfrenta dificuldades de ordem burocrática relacionadas à representação diplomática da Síria no Brasil. Apesar da mudança de governo em Damasco, a maioria dos funcionários que compõem a Embaixada da Síria no Brasil ainda pertence à gestão anterior.
Essa situação dificulta o fluxo de informações e a cooperação entre o governo brasileiro e a delegação síria. A expectativa de especialistas é que o cenário de troca de informações mude após o processo de concessão de novos credenciais diplomáticas, conhecido como agrément, previsto para ocorrer após as eleições deste ano.
Questionado sobre a possibilidade de presença de familiares de Assad no Brasil, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que o tema não é de responsabilidade da diplomacia brasileira. A Polícia Federal também foi procurada para comentar o caso, mas não retornou até o fechamento desta matéria.
