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Terremoto mais forte em um século atinge Venezuela em momento de transição política e aliança com os EUA

O tremor, o mais forte em um século, ocorre cinco meses após os EUA capturarem Maduro e estabelecerem aliança política com Delcy Rodríguez.

Por Diário Local

O terremoto mais forte em um século atingiu a Venezuela em um momento de frágil transição política e econômica — cinco meses depois que o governo de Donald Trump capturou o ex-ditador Nicolás Maduro e colocou a vice-presidente Delcy Rodríguez no comando do país. A tragédia chegou justamente quando a Venezuela se preparava para anunciar a reestruturação de sua dívida de US$ 240 bilhões — cerca de R$ 1,2 trilhão —, a maior registrada na história, superando em aproximadamente US$ 100 bilhões (R$ 520 bilhões) as projeções anteriores.

Uma estimativa preliminar do Serviço Geológico dos Estados Unidos aponta perdas de até US$ 100 bilhões com o desastre. O colapso dos serviços de saúde e a escassez crônica de alimentos e medicamentos expõem a vulnerabilidade do país para enfrentar uma catástrofe dessa dimensão.

O desastre testará o apoio americano em ajuda humanitária e na recuperação econômica. Desde a operação militar de 48 minutos em Caracas, em janeiro, os EUA retomaram relações diplomáticas com o país, aliviaram sanções e assumiram a gestão e a venda de grandes estoques de petróleo venezuelano.

O que representou a aliança entre os EUA e a Venezuela?

Em comício realizado nesta terça-feira na Pensilvânia, Trump declarou satisfação com a intervenção: "Estamos ganhando muito dinheiro com a Venezuela. E a Venezuela está indo muito bem. Também temos um país — é um país feliz agora."

A operação de janeiro foi conduzida com o secretário de Estado Marco Rubio. Os dois optaram por preservar a estrutura política herdada do chavismo. Com Maduro preso, à espera de julgamento por acusações de narcoterrorismo, Washington adotou uma postura pragmática diante da nova configuração venezuelana.

Delcy Rodríguez seguiu as diretrizes de Washington para consolidar o poder: substituiu aliados de Maduro, abriu a economia e permitiu operações militares americanas no território. Ao celebrar a retomada das relações com os EUA, ela afirmou que a captura de Maduro, em 3 de janeiro, "marcou um ponto de virada na política venezuelana e nas relações externas". "Já se passaram seis meses e sinto que foi o caminho certo", disse.

Qual é a situação atual da Venezuela?

A maioria dos venezuelanos ainda enfrenta dificuldades severas. A inflação anual está estimada em 524%. Cerca de 2.200 presos políticos foram liberados, mas 600 permanecem encarcerados.

Os serviços de saúde estão em colapso e há escassez crônica de alimentos e medicamentos — condições que evidenciam a falta de preparo do país para absorver uma tragédia dessa magnitude. A economia, já depauperada por hiperinflação e má gestão estatal, deverá enfrentar pressão adicional para lidar com os danos do desastre.

Caberá aos EUA honrar a aliança firmada com Caracas. O terremoto se torna o maior teste da relação construída desde janeiro entre Washington e o novo governo venezuelano.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.