Trump diz que pode adiar ataque ao Irã se acordo para reabrir Estreito de Ormuz for alcançado
Presidente americano condiciona suspensão de ofensivas à reabertura imediata do estreito e ao fim das ambições nucleares de Teerã.
Por Redação Diário Local
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o governo poderá adiar um novo ataque ao Irã, desde que seja alcançado um acordo rápido para interromper as ambições nucleares iranianas e reabrir o Estreito de Ormuz. A declaração foi feita pelo presidente no sábado (2) por meio da plataforma Truth Social.
Segundo Trump, o Irã e outros países do Oriente Médio solicitaram mais tempo para concluir um tratado que permitiria a reabertura imediata, completa e total do estreito, além de encerrar a ameaça nuclear do país. O anúncio ocorreu após uma conversa telefônica com o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, que defendeu o uso do diálogo para reduzir as tensões na região.
O presidente americano afirmou que Israel se une ao seu compromisso de buscar o acordo, mas a postura de Israel mantém um tom de vigilância. O ministro da Energia de Israel, Eli Cohen, afirmou que existe uma coordenação estreita de segurança e inteligência entre Israel e os Estados Unidos sobre os acontecimentos na região.
Apesar do tom de desescalada de Trump, Cohen ressaltou que Israel agirá e atacará caso o Irã tente retomar seu programa nuclear ou avançar na indústria de mísseis balísticos, independentemente de acordos externos. A movimentação ocorre após reuniões entre Trump e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu em Washington, na última terça-feira (29), para explorar caminhos diplomáticos, econômicos e de força.
Por outro lado, autoridades de Teerã negam a busca por armas nucleares. O ministro interino da Defesa do Irã, o brigadeiro-general Majid Ebn Al-Reza, classificou as ameaças dos Estados Unidos como "guerra psicológica e cognitiva". Ele afirmou que o país reforçará sua preparação e dissuasão para não ser pego de surpresa.
Impacto no mercado de energia
A instabilidade no Oriente Médio tem reflexos diretos na economia global e no custo de vida. O Irã praticamente bloqueou o Estreito de Ormuz, uma via de passagem para 20% do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) do mundo, o que elevou os preços da energia e alimentou a inflação global.
Desde o fim do cessar-fogo em abril, os preços dos contratos futuros do petróleo Brent subiram 24%. Analistas preveem que os valores continuem subindo este ano. Trump argumentou que o objetivo de impedir o programa nuclear justifica o aumento temporário nos custos de combustível, mas o impacto econômico tem gerado pressão política para encerrar a guerra, que já dura cinco meses.
A insegurança na região também se estende ao Estreito de Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho, onde aliados do Irã no Iêmen começaram a ameaçar a rota de exportação. No sábado (2), a Divisão de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido relatou dois incidentes marítimos na costa de Omã, incluindo um navio-tanque atingido por um projétil desconhecido.
