Uefa estuda processo criminal contra presidente da Fifa, Gianni Infantino, por má gestão
Entidade europeia defende que plano de vender participação na Copa do Mundo pode configurar má gestão criminosa segundo o Código Penal Suíço
Por Redação Diário Local
A União Europeia de Futebol (Uefa) estuda abrir um processo criminal contra o presidente da Fifa, Gianni Infantino, devido a um projeto para a criação da Fifa Forward Enterprises (FFE). A entidade europeia acusa o dirigente de "má gestão criminosa", com base no Código Penal Suíço, em razão de um plano para gerir competições, como a Copa do Mundo, e ceder cotas a investidores externos.
O projeto da FFE, que já foi abandonado, previa a venda de 20% das ações da futura companhia por US$ 4,2 bilhões (R$ 21,71 bilhões). Em documentos judiciais, a Uefa argumenta que o valor estipulado era "absurdamente baixo" e que a criação da empresa não ocorreu por meio de leilão aberto ou avaliação de especialistas independentes.
A investigação também foca em um incentivo de US$ 40 milhões (R$ 206 milhões) que teria sido prometido por Infantino às associações-membros da Fifa. O objetivo do montante seria garantir o apoio das federações ao plano de reorganização dos ativos comerciais da entidade.
Documentos apontam que o presidente da Fifa teria imposto um prazo exíguo para a resposta das associações. O anúncio da reorganização foi feito em 28 de julho, com data limite para decisão em 19 de setembro (19), totalizando cerca de 53 dias para analisar uma mudança estrutural que teria sido arquitetada em segredo por mais de um ano.
Além das questões financeiras, a Uefa busca medidas judiciais envolvendo investidores do plano. A entidade solicita que Joshua Kushner, proprietário do fundo Thrive Capital e apontado como principal investidor da FFE, divulgue documentos relacionados ao projeto e preste depoimento à justiça.
Possíveis punições e resistência no futebol
De acordo com a denúncia da entidade europeia, as ações de Infantino podem ser punidas com até três anos de prisão, conforme o Artigo 158 do Código Penal Suíço. O plano gerou forte reação de parte das federações, que manifestaram que o "futebol não está à venda".
A Uefa chegou a ameaçar boicotar torneios organizados pela Fifa e liderou o movimento de oposição à atual gestão. Atualmente, a entidade europeia atua ao lado da Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf) e da Confederação Asiática de Futebol (AFC) para articular um nome de oposição.
O objetivo da coalizão é impedir a reeleição de Infantino, prevista para 27 de março de 2027. Embora o presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, tenha descartado uma candidatura própria, o presidente da Concacaf, Victor Montagliani, é considerado uma das opções para representar o bloco opositor.
