Morre Ratko Mladic, ex-general condenado por genocídio na Bósnia durante a década de 1990
Ex-general sérvio-bósnio foi responsável por orquestrar o massacre de Srebrenica e foi condenado à prisão perpétua pela ONU
Por Redação Diário Local
Morreu nesta quinta-feira (27) Ratko Mladic, ex-general condenado por genocídio por orquestrar o massacre de pelo menos 8 mil muçulmanos em Srebrenica, na Bósnia, em 1995. A informação foi divulgada por uma autoridade da ONU.
Mladic foi condenado à prisão perpétua pelo Tribunal Penal Internacional para a Ex-Iugoslávia (TPII) por liderar uma conspiração criminosa que visava a "limpeza étnica" de muçulmanos bósnios e croatas. O objetivo era a expulsão de não sérvios para liberar terras para a chamada "Grande Sérvia".
O ex-general estava sob custódia de um centro de detenção da ONU desde que foi preso, no ano de 2011. De acordo com informações de seu filho, Mladic nasceu em 8 de março de 1943 e vinha enfrentando problemas de saúde e hospitalizações frequentes nos últimos anos.
O massacre de Srebrenica e a guerra na Bósnia
O massacre ocorrido em julho de 1995, em Srebrenica, é considerado a maior atrocidade na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Durante o evento, corpos de vítimas foram ocultados em valas comuns para esconder as evidências dos assassinatos.
Além do massacre em Srebrenica, Mladic comandou o Exército nacionalista sérvio durante a guerra que durou mais de três anos. Sob seu comando, a capital Sarajevo foi sitiada e bombardeada diariamente com tanques, artilharia e morteiros, o que causou a morte de 10 mil pessoas.
O tribunal internacional concluiu que Mladic atuou em conjunto com o falecido presidente sérvio Slobodan Milosevic e o líder político Radovan Karadzic para executar o plano de expansão territorial através da violência contra populações não sérvias.
Histórico militar e condenação
Mladic era oficial do antigo Exército Popular Iugoslavo (JNA) antes do início da desintegração da Iugoslávia, em 1991. Com a rebelião dos sérvios da Bósnia em 1992, ele assumiu o comando do novo Exército sérvio-bósnio, que chegou a controlar 70% do território do país.
Durante o julgamento no TPII, Mladic negou as acusações e não reconheceu a autoridade do tribunal. Em 2017, após a sentença de prisão perpétua, ele declarou que as acusações eram falsas.
