Países vizinhos ao Brasil aderem a plano de segurança de Trump e deixam o país de fora
Articulação de 14 nações latinas busca combate a facções como PCC e CV, enquanto o Brasil mantém estratégia de integração regional.
Por Redação Diário Local
Catorze países da América Latina aderiram nesta semana a uma declaração conjunta para combater 24 organizações classificadas pelos Estados Unidos como "narcoterroristas". O movimento integra o chamado Escudo das Américas e inclui facções brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), que são designadas como organizações terroristas estrangeiras pelo governo norte-americano.
O Brasil e o México ficaram de fora desta articulação. A movimentação ocorre simultaneamente à ampliação da presença de Washington na América do Sul, que envolve novos recursos para parceiros regionais, maior cooperação militar e de inteligência.
Como funciona a estratégia de segurança regional?
O Escudo das Américas é liderado pelos Estados Unidos e conta com a participação de 19 países. Entre os vizinhos sul-americanos que anunciaram a ação conjunta estão Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai e Peru.
A aproximação ocorre em um cenário de redirecionamento de recursos, como os US$ 52 milhões destinados à Colômbia, Equador, Peru e Panamá, além da previsão de envio de drones ao Comando Sul. Segundo o professor Maurício Fronzaglia, da Universidade Mackenzie, o movimento também está relacionado à disputa de influência entre os Estados Unidos e a China na região.
Enquanto a China se consolidou como um dos principais parceiros comerciais de diversos países sul-americanos, Washington busca ampliar sua presença em setores considerados estratégicos no Hemisfério Ocidental, incluindo energia e minerais críticos.
O que diz o governo brasileiro sobre a situação?
Fontes do Planalto avaliam que o Brasil não deve interpretar a aproximação de governos vizinhos com os Estados Unidos como uma perda automática de influência. A estratégia de Brasília é pautada pelo pragmatismo, buscando manter relações com países de diferentes orientações ideológicas em temas concretos.
O governo brasileiro mantém foco em iniciativas como o Consenso de Brasília, aprovado em maio de 2023, que visa a retomada da coordenação regional em áreas de infraestrutura, segurança, saúde e economia. Entre os projetos está a criação de corredores de integração para ampliar o comércio com a Ásia.
A relação com a Argentina de Javier Milei exemplifica essa postura: apesar de divergências políticas e de posicionamentos distintos sobre o Mercosul, a cooperação em áreas como segurança de fronteiras e combate ao crime organizado permanece como um objetivo de Brasília.
