Terremoto de magnitude 8,8 desperta vulcão inativo há quase 500 anos na Rússia
Imagens da Nasa Registram avanço da lava no complexo Krasheninnikov, na Península de Kamchatka, após tremor de grande magnitude.
Por Redação Diário Local
Um vulcão na Península de Kamchatka, no extremo leste da Rússia, voltou a entrar em erupção após passar quase cinco séculos sem atividade. O despertar do complexo Krasheninnikov ocorreu poucos dias depois de um terremoto de magnitude 8,8 atingir uma área próxima à região.
O tremor ocorreu no oceano, próximo à península, na quarta-feira (30) de julho de 2025. Segundo informações da Nasa, a força do sismo teria sacudido e despertado um dos dois vulcões que compõem o complexo.
A erupção foi a primeira registrada no local desde aproximadamente o ano de 1550. Desde que o processo começou, o vulcão localizado ao norte passou a liberar continuamente lava, rochas e outros materiais para a superfície.
A transformação da paisagem foi monitorada pela missão NISAR, um projeto de observação da Terra desenvolvido pela Nasa em parceria com a Organização Indiana de Pesquisa Espacial (ISRO). Através de 17 imagens capturadas até meados de agosto de 2026, pesquisadores criaram uma sequência que detalha a evolução do fenômeno.
Movimentação da lava
Os registros de satélite revelam que a lava preencheu inicialmente uma caldeira interna antes de transbordar para uma cratera maior. Em seguida, o material espalhou-se pela superfície terrestre formando um desenho semelhante a um leque.
Além do movimento principal, o satélite também identificou um fluxo de lava direcionado para o noroeste. A tecnologia de radar utilizada pelo NISAR permitiu o acompanhamento detalhado mesmo em uma área remota, onde condições climáticas poderiam dificultar observações convencionais.
A Península de Kamchatka é uma região que abriga dezenas de vulcões, muitos deles monitorados constantemente pela frequência de atividade. O Krasheninnikov, no entanto, recebia menos atenção dos especialistas por estar inativo há séculos.
Para Matthew Pritchard, geofísico da Universidade Cornell e integrante da equipe científica do NISAR, o uso de observações frequentes e de alta resolução é essencial para ampliar a capacidade de acompanhamento de vulcões ao redor do mundo.
A Nasa destaca que o tipo de dado obtido nessas regiões é fundamental para o estudo de riscos naturais. Essas informações auxiliam no monitoramento preventivo de áreas que podem ser afetadas por novas erupções.
