Cemitério com túmulos da gripe espanhola corre risco de sumir com obras na BR-101 no ES
Moradores de Mimoso do Sul pedem preservação do Cemitério Santa Rosa, que abriga sepulturas de vítimas da pandemia de 1918.
Por Redação Diário Local
O Cemitério Santa Rosa, em Mimoso do Sul, no Sul do Espírito Santo, corre risco de desaparecer devido às obras de duplicação da BR-101. Com mais de 100 anos de história, o local abriga sepulturas de vítimas da pandemia de gripe espanhola, ocorrida entre 1918 e 1920.
O espaço está localizado na altura do quilômetro 444 da rodovia e é anterior à construção da estrada. Segundo moradores e estudiosos, o cemitério contém túmulos de famílias tradicionais da região, como os Lopes, Rodrigues, Dalbom e Vieira.
A comunidade relata que túmulos foram danificados e parte deles está coberta por vegetação e entulho. De acordo com relatos locais, os danos teriam começado após intervenções realizadas no trecho da rodovia federal em julho (2024).
O historiador Renato Moafati explicou que o cemitério foi escolhido para sepultamentos por estar distante dos núcleos urbanos da época. Para o especialista, o local precisa de reconhecimento oficial, delimitação e instalação de placas para garantir a preservação do patrimônio.
O bacharel em Direito Leonardo Lopes, que identificou familiares enterrados no local, afirmou que o espaço é um marco histórico. Ele criticou o descarte de restos de obras dentro da área do cemitério, o que demonstra falta de respeito com as famílias.
A Prefeitura de Mimoso do Sul informou que enviará equipes para realizar a limpeza do cemitério. No entanto, o município ainda não estabeleceu um prazo para o início do serviço de limpeza no local.
A concessionária Ecovias Capixaba afirmou que acompanha a situação dentro do processo de licenciamento ambiental da BR-101. Segundo a empresa, a duplicação do trecho entre os quilômetros 426 e 461, onde fica o Santa Rosa, está prevista apenas para agosto de 2032.
A concessionária esclareceu que não há obras de duplicação em andamento nesse segmento específico. Informou ainda que qualquer intervenção dependerá de estudos técnicos e arqueológicos, seguindo as exigências do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
De acordo com a concessionária, todos os sítios arqueológicos são identificados antes das obras. Caso sejam encontrados vestígios de interesse histórico, o material é resgatado e encaminhado para museus do Espírito Santo.
