Diário Local
Corrupção

Instituto Rio Metrópole manteve esquema de corrupção mesmo após auditoria estadual, aponta investigação

Investigação do Ministério Público aponta que o Instituto Rio Metrópole aumentou contratos suspeitos mesmo após ordem de auditoria do governo.

Por Davy Albuquerque

O Instituto Rio Metrópole manteve a execução de contratos suspeitos mesmo após o anúncio de uma auditoria em todas as secretarias, autarquias e entidades do Estado. Segundo investigação do Ministério Público do Rio, o esquema de corrupção movimentou R$ 86 milhões nos últimos quatro anos.

A auditoria foi determinada pelo governador em exercício, Ricardo Couto, e anunciada em 14 de abril. No entanto, em 14 de maio, o presidente do Instituto, Davi Perini Vermelho, e o diretor de planejamento, Maurício Silva Knoploch dos Santos, assinaram um novo aumento em um contrato com a empresa Engeconsult Consultores Técnicos LTDA. O caso motivou a prisão de ambos durante operação conjunta entre a Polícia Civil e o Ministério Público.

O contrato com a Engeconsult, que tem como objeto consultoria técnica e assessoria para planos metropolitanos, teve seus ganhos triplicados. Os valores passaram de R$ 20 milhões em 2023 para quase R$ 60 milhões após o aditivo.

O que diz a auditoria do Estado?

A Controladoria Geral do Estado (CGE) concluiu que a inclusão deste aditivo descumpriu o limite de 25% estabelecido pela Lei de Licitações. Além da irregularidade no valor, a CGE apontou que o contrato apresentava um "emaranhado pouco compreensível", com riscos de terceirização indevida de atividades essenciais do Instituto.

A auditoria também destacou que o objeto do contrato não era definido de forma clara, dificultando a fiscalização dos serviços prestados pelo órgão metropolitano.

Velocidade nas decisões e pagamentos

O Ministério Público identificou que as decisões sobre o contrato suspeito ocorriam de forma acelerada. Em um despacho de 30 de abril de 2025, Maurício Knoploch determinou o contato com a Engeconsult para manter a contratação apenas 23 minutos após receber o parecer jurídico.

O órgão também registrou que pedidos de pagamento eram decididos em poucas horas. Um deles foi enviado às 11h20 e, às 16h14 do mesmo dia, já estava com o procurador-geral do Instituto, Marcelo Lopes da Silva, que também foi preso. Segundo os promotores, o procurador ignorou pareceres que impediam os pagamentos e não consultou a Procuradoria-Geral do Estado.

Continuidade das investigações

O procurador-geral de Justiça do Rio, Antônio José Campos Moreira, afirmou que a investigação sobre o Instituto Rio Metrópole não foi finalizada. De acordo com o procurador, outros fatos de gravidade igual ou superior ao caso atual estão sob investigação.

O cargo de presidente do Instituto é definido por votação entre os prefeitos da Região Metropolitana do Rio. Davi Perini Vermelho foi eleito com o apoio de 20 dos 22 municípios da região, sendo que Niterói e Maricá foram as únicas cidades que não manifestaram apoio à sua escolha.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.