Criminosos realizam série de assaltos em semáforos da Zona Norte do Rio
Motoristas e passageiros relatam medo de abordagens rápidas em cruzamentos da Praça da Bandeira e São Cristóvão
Por Davy Albuquerque
Criminosos têm realizado uma série de assaltos rápidos em cruzamentos da Zona Norte do Rio de Janeiro, aproveitando o tempo de espera nos semáforos para abordar motoristas e passageiros. As abordagens ocorrem em poucos minutos, visando o roubo de celulares, joias e outros pertences de quem está parado no trânsito.
As ações têm sido registradas em pontos estratégicos, como o cruzamento das ruas Pará e Teixeira Soares, na Praça da Bandeira, e nas proximidades da estação de metrô de São Cristóvão. Em diversos casos, criminosos cercam os veículos e rendem os ocupantes assim que o sinal fecha.
Em um dos registros recentes, três criminosos cercaram um carro branco e renderam o motorista e o passageiro. Logo em seguida, outro veículo foi atacado na sequência. Câmeras de monitoramento registraram quatro motoristas avançando o sinal vermelho na tentativa de escapar dos assaltantes.
Modo de agir e rotina de ataques
Em outro episódio, um homem usando capuz abordou um carro cinza e obrigou os ocupantes a entregarem pertences. Na mesma sequência, ele tentou atacar um veículo ao lado e ameaçou um táxi antes de fugir por um posto de combustíveis.
Em São Cristóvão, o cenário de tensão se repete diante da estação de metrô. Motoristas e trabalhadores relatam que os assaltantes aproveitam a parada do trânsito para realizar o "bote". No mês passado, uma tentativa de assalto contra um táxi mobilizou as redes sociais após quatro homens cercarem o veículo.
O movimento de fuga dos criminosos também tem um padrão identificado. Em relatos de comerciantes, após os assaltos, os suspeitos costumam atravessar a Radial Oeste em direção à Mangueira para escapar das autoridades.
Segurança e patrulhamento nos pontos críticos
Moradores e comerciantes locais afirmam que a sensação de insegurança aumenta drasticamente quando o patrulhamento da Guarda Municipal deixa o local. No cruzamento da Praça da Bandeira, a vigilância ocorre durante o funcionamento da faixa reversível, mas a preocupação retorna após o término da operação.
A presença de policiamento é notada em alguns momentos, mas a percepção de que o patrulhamento é insuficiente é comum entre os moradores. Taxistas e motociclistas de aplicativo afirmam que é necessário manter atenção constante em todas as direções para não serem surpreendidos.
Para evitar as abordagens, motoristas de aplicativo adotaram medidas de precaução constantes. Entre os protocolos relatados por condutores estão manter os vidros levantados, o ar-condicionado ligado e esconder aparelhos celulares antes de atingirem o semáforo.
Queda nos roubos e sensação de insegurança
Apesar do clima de medo, dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) mostram que os índices de criminalidade na região apresentaram queda. A área que abrange São Cristóvão e a Praça da Bandeira registrou 891 roubos de rua entre janeiro e maio de 2026.
O número de ocorrências representa uma redução de 27% em comparação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 1.222 casos de roubos na região. Contudo, a diminuição estatística não tem sido suficiente para tranquilizar quem circula pelo trecho.
Usuários do transporte público e motoristas de ônibus relatam que a insegurança permanece alta, especialmente em pontos terminais próximos ao metrô. Há uma reivindicação por parte dos trabalhadores da área para que haja uma presença fixa de agentes de segurança nos locais de parada.
O tempo de espera nos semáforos também é um fator de vulnerabilidade. No trecho da Praça da Bandeira, o sinal pode ficar fechado por cerca de cinco minutos, período que, segundo moradores, facilita a ação de grupos criminosos. A CET-Rio informou que o tempo de fechamento dos sinais pode variar conforme as condições do trânsito local.
