Exposição em Campo Grande resgata trajetória de 100 anos do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora
Mostra com 48 fotografias históricas revela como a instituição preparou gerações de mulheres para o mercado de trabalho.
Por Redação Diário Local
O Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, de Campo Grande, celebra seu centenário com uma exposição que reúne 48 fotografias históricas e dois cartazes. A mostra, organizada pelo Arquivo Histórico de Campo Grande (Arca) em parceria com a instituição, resgata a trajetória de um colégio que foi fundamental para a educação e a independência profissional de mulheres na capital sul-mato-grossense.
Fundada em 1926, a escola manteve atendimento exclusivamente feminino por cerca de 60 anos, passando a receber alunos do sexo masculino apenas em 1986. Durante o período de atuação voltada às mulheres, o colégio oferecia uma estrutura que ia além do ensino básico, preparando alunas para o mercado de trabalho por meio de cursos de música, canto, línguas estrangeiras, costura, bordado e culinária.
A instituição também contava com cursos técnicos voltados para a época, como o comercial, para funções administrativas, e o curso normal, focado na formação de professoras. Segundo o gestor do Arca, Davi Almeida, essa preparação foi determinante para que as mulheres pudessem exercer carreiras e construir vidas profissionais de forma autônoma.
Representatividade e figuras históricas
A exposição destaca nomes que marcaram a história de Campo Grande e que passaram pelas salas de aula da escola. Entre as personalidades citadas estão Nelly Baís, primeira mulher a ocupar a prefeitura da cidade, e a artista Nelly Baís Martins, sobrinha de Lídia Baís.
O acervo também homenageia o padre João Crippa, figura central na criação do colégio, que recebeu as quatro primeiras religiosas responsáveis pelo início das atividades em fevereiro de 1926. A mostra faz alusão ao papel da instituição na formação de educadoras, conectando o legado escolar à celebração do Dia dos Professores, comemorado em 15 de outubro.
Arquitetura e memória urbana
Além do aspecto educacional, a mostra revela a evolução urbana de Campo Grande e as transformações no patrimônio arquitetônico. O servidor do Arca, Bruno Silva Ferreira, destaca que o edifício sede do colégio é um exemplar do estilo art déco, apresentando características como linhas verticais, volumes geométricos e platibandas que ocultam o telhado.
As fotografias exibidas registram momentos como desfiles cívicos de 7 de setembro e do aniversário da cidade (26 de agosto), além de imagens de 1941 que mostram as estudantes acompanhadas por religiosas. Um dos registros, datado de 1948, documenta a participação das alunas em desfiles logo após o período da Segunda Guerra Mundial.
O material fotográfico também permite observar a construção da sede definitiva, que já era utilizada em parte em 1931, antes de sua conclusão total. Os arquivos, que incluem jornais e documentos preservados, servem como um registro de como o colégio acompanhou o crescimento de Campo Grande ao longo de um século.
