Exposição em Juiz de Fora reúne obras de artistas do Grupo 57 e homenageia Roberto Gil
Mostra 'Coleções Conectadas III' reúne acervos privados que retratam a renovação artística da cidade na metade do século 20
Por Redação Diário Local
A exposição “Coleções Conectadas III – Roberto Gil: a pintura como expressão poética” está em cartaz no Ateliê das Molduras, em Juiz de Fora, até o dia 5 de setembro. A mostra reúne obras de acervos privados que retratam a produção artística da cidade, com foco no movimento de renovação cultural ocorrido na segunda metade do século 20.
O evento homenageia o escritor, poeta e articulador cultural Roberto Gil, considerado uma figura decisiva para a modernidade artística em Juiz de Fora. Gil participou da Exposição de Arte Moderna de Juiz de Fora, realizada em 1954, e defendia a autonomia do artista e a superação do academicismo.
A mostra também apresenta o trabalho de artistas ligados ao “Grupo 57”, conjunto que ingressou na Sociedade de Belas Artes Antônio Parreiras (SBAAP) por volta de 1957. Entre os nomes expostos estão Nívea Bracher, Carlos Bracher, Fani Bracher, Ruy Merheb, Dnar Rocha, Renato Stehling e Roberto Vieira.
O que é o Grupo 57?
O “Grupo 57” representou a principal vertente modernizadora da pintura em Juiz de Fora durante a segunda metade do século 20. Segundo o organizador André Colombo, o grupo era composto por uma geração atenta às transformações da arte brasileira e internacional, focada na experimentação estética.
As divergências conceituais do grupo acabaram provocando o seu afastamento da Sociedade de Belas Artes Antônio Parreiras (SBAAP). Apesar disso, a atuação dos integrantes foi determinante para renovar o ambiente artístico local e influenciar gerações de artistas que vieram depois.
Preservação da memória artística
Como a maioria das obras em exibição pertence a coleções particulares, a exposição tem o propósito de tornar públicos trabalhos que costumavam ficar inacessíveis à população. A iniciativa busca valorizar o papel dos colecionadores na preservação do patrimônio cultural de Juiz de Fora.
O historiador da arte André Colombo destaca que a reunião desses acervos permite que parte da memória artística da cidade retorne temporariamente ao espaço público. Entre os destaques na preservação da memória local, é citado o acervo do Castelinho da Família Bracher, que acolheu a geração de artistas citada na mostra.
A entrada para a exposição é franca e o local de exibição é o Ateliê das Molduras, localizado na Avenida Presidente Itamar Franco, no Centro de Juiz de Fora.
