Festival CURA transforma Praça Raul Soares em espaço de descanso em Belo Horizonte
Com o conceito 'Descansar enquanto', o Circuito Urbano de Arte propõe ocupação e desaceleração na região central da capital mineira.
Por Redação Diário Local
O Circuito Urbano de Arte (CURA) 2026 será realizado entre os dias 19 e 30 de agosto na Praça Raul Soares, na região central de Belo Horizonte. Com o conceito "Descansar enquanto", o festival de arte pública tem como objetivo transformar a praça em um espaço dedicado ao descanso e à ocupação urbana consciente.
A edição deste ano propõe uma reflexão sobre a necessidade de desacelerar em uma sociedade pautada pelo consumo e pela produtividade constante. O tema busca dialogar com ideias de autores como Ailton Krenak, que critica a lógica do lucro em detrimento do bem viver.
A curadoria do evento é liderada pela educadora e pesquisadora Luciara Ribeiro. Pela primeira vez, o conceito norteador foi elaborado de forma coletiva por um grupo de 11 convidados, incluindo artistas e profissionais de diferentes áreas, para expandir as possibilidades de atuação do festival na capital mineira.
A Praça Raul Soares, conhecida popularmente como "Raulzona", atua como ponto de observação do festival em diversas edições, como em 2021, 2022 e 2024. O projeto pretende converter o local, que funciona frequentemente como área de passagem, em um ambiente de permanência para diversos perfis de público.
O foco da ocupação inclui crianças, idosos, pessoas com deficiência, mulheres e as diferentes juventudes. Segundo as realizadoras Jana Macruz e Priscila Amoni, o descanso é compreendido não como ausência de ação, mas como uma condição necessária para a existência da própria atividade humana.
O que propõe a nova edição?
A frase "Descansar enquanto" funciona como um gesto em suspensão que convoca o corpo e a cidade a desacelerarem juntos. Para a organização, o descanso no ambiente urbano contemporâneo é visto como uma prática em disputa frente à exaustão causada pela superexposição digital e social.
O festival permite ao público acompanhar, de forma gratuita, a criação de arte pública em tempo real. As intervenções artísticas são integradas à identidade do local, que reúne elementos de estilo art déco, desenhos marajoaras no piso e a arquitetura do Edifício JK, de Oscar Niemeyer.
Como legado das edições realizadas na Raulzona, o CURA tem deixado diversas obras permanentes e temporárias na cidade. O conjunto inclui pinturas em empenas, murais, pinturas no chão, instalações e lambes em fachadas, consolidando o festival como um manifesto de ocupação do espaço público pela diversidade.
