Diário Local
História do Rio

Comerciantes do Rio organizavam festas monumentais para a padroeira da Lapa em 1900

Registros históricos mostram como o setor comercial mobilizava ruas e financiava grandes celebrações no Centro do Rio

Por Redação Diário Local

No início do século XX, a mobilização do setor comercial do Rio de Janeiro em torno da festa de sua padroeira transformava o Centro da cidade em um cenário de grandes celebrações. Em 1900, a Festa de Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores era organizada de forma corporativa, com ruas inteiras decoradas por comissões de comerciantes e empregados.

As festividades, que ocorriam tradicionalmente entre o fim de agosto e o início de setembro, contavam com financiamento de firmas locais e a criação de estruturas como coretos, bandas militares e ornamentações que ocupavam diversos quarteirões da região central.

Como funcionava a organização da festa?

A estrutura da celebração revelava a força da irmandade e o papel central do comércio. Diferentes ruas possuíam suas próprias comissões de organização. Na Rua do Ouvidor, a comissão era integrada por nomes como Joaquim Antônio Carvalho Guimarães e Francisco Lopes Ferraz, além de representantes da firma Garcia & Paz.

Na Praça XV, a organização contava com a participação de Joaquim José Dias, da firma Dias Pereira & Cia. Já na Rua do Mercado, a responsabilidade era de João da Silva Pinho e Manoel Brandão. A Travessa do Comércio também tinha representantes próprios, como Manoel Martins Ferreira Mattos e a firma Lixa & Avelino.

Um detalhe relevante era a existência de uma subcomissão formada exclusivamente por empregados do comércio, presidida por Antônio Martins Fernandes. Isso demonstrava que o título de "Lapa dos Mercadores" refletia fielmente a composição social da festa, unindo donos de negócios e trabalhadores em torno do evento religioso.

O cenário de 8 de setembro de 1900

Na edição de 8 de setembro de 1900, o cenário urbano do Rio ainda era composto por ruas do período colonial e do Império, como a Rua Primeiro de Março e a Rua do Ouvidor, antes das grandes reformas urbanas da época. A festa tomava as ruas com arcos triunfais e elementos decorativos como folhagens e bandeiras.

Apesar do céu carregado e do risco de chuva, a solenidade religiosa seguiu com grande público. A Missa Solene, iniciada às 11h, foi celebrada pelo Padre Pedro Hermes Monteiro, com a presença de outros padres e a condução de Monsenhor Pedrinha como mestre de cerimônias.

A parte musical seguia o padrão de alto nível da época, com coro e orquestra sob a direção do professor Guilherme de Oliveira. O repertório incluía obras como a Missa Nossa Senhora do Carmo e peças de compositores como Verdi, mantendo a tradição de luxo e aparato musical que caracterizava as celebrações da irmandade.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.