Justiça absolve torcedor argentino acusado de racismo no Mineirão por falta de provas
Decisão da 5ª Vara Criminal de Belo Horizonte apontou insuficiência de provas para configurar crime de racismo em jogo de 2026.
Por Redação Diário Local
A 5ª Vara Criminal de Belo Horizonte absolveu o torcedor argentino Nahuel Jeremias Maldonado, de 28 anos, da acusação de racismo praticada durante o jogo entre Cruzeiro e Boca Juniors no Mineirão. O caso ocorreu em 28 de abril.
A sentença, assinada pelo juiz José Romualdo Duarte Mendes, considerou a denúncia do Ministério Público improcedente devido à insuficiência de provas. O magistrado destacou que os elementos colhidos, especialmente os testemunhais, não comprovaram a prática do crime.
A única testemunha de acusação, um segurança particular, apresentou depoimento considerado oscilante e contraditório em relação ao que havia declarado anteriormente na delegacia. Além disso, policiais militares ouvidos no processo confirmaram que não presenciaram os fatos na arquibancada.
Por que a justiça absolveu o torcedor?
A defesa sustentou que os movimentos realizados por Maldonado — projetar as orelhas para a frente e passar a mão no antebraço — são parte da cultura futebolística argentina e não possuem caráter racial. O gesto de projetar as orelhas, conhecido como "Topo Gigio", é uma provocação que significa "não estou te escutando".
Testemunhas da defesa, incluindo dois argentinos que conhecem o acusado, reforçaram que os gestos possuem conotações de provocação esportiva ou obscenidade, mas sem referência a raça ou cor. O juiz ressaltou que, para a configuração do crime, é necessário o dolo específico de discriminar, o que não foi comprovado.
A decisão também levou em conta o entendimento da Comissão de Apelações da Conmebol, que reclassificou a conduta como gesto provocativo ou obsceno, e não discriminatório. Com a absolvição, o princípio do "in dubio pro reo" (na dúvida, decide-se a favor do réu) foi aplicado.
Desdobramentos do caso
Com a decisão judicial, foram revogadas todas as medidas cautelares que pesavam sobre o torcedor, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica. Também ficaram prejudicados os pedidos de indenização mínima, suspensão de direitos políticos e a proibição de frequentar estádios.
Maldonado havia sido preso em flagrante pela Polícia Militar na noite de 28 de abril, após vídeos circularem em redes sociais. Na ocasião, ele recebeu liberdade provisória com restrições de horário e monitoramento eletrônico, que foram retirados após o julgamento final.
