Diretor revela que lápide no Cemitério do Bonfim, em BH, era objeto de cena de filme
Cineasta Rodrigo Carneiro esclareceu que placa com nome de figura histórica foi esquecida após gravação de curta-metragem em 2012
Por Redação Diário Local
O mistério em torno de uma lápide encontrada no Cemitério do Bonfim, em Belo Horizonte, foi esclarecido pelo cineasta Rodrigo Carneiro. O diretor revelou que a placa, que trazia o nome da francesa Herculine Barbin, foi produzida exclusivamente para uma cena do curta-metragem Copyleft, gravado no cemitério em 2012.
A peça permaneceu sobre um jazigo por 14 anos, o que contribuiu para que o objeto se tornasse uma lenda urbana na capital mineira. Segundo o cineasta, a equipe de produção do filme esqueceu de retirar a lápide após as filmagens, que foram realizadas para uma produção lançada em 2015.
No curta-metragem, a placa aparece em uma cena em que um personagem visita o próprio enterro simbólico e encontra o túmulo com o nome de Herculine. Carneiro afirmou que desconhecia que a presença da placa havia gerado pesquisas acadêmicas ou repercussão em podcasts, tomando conhecimento do assunto apenas recentemente.
A história da placa chegou ao conhecimento do diretor por meio de um episódio de podcast da Rádio Novelo. Após a repercussão, o cineasta entrou em contato com a produção do programa para relatar o esquecimento e esclarecer a origem da peça.
O que motivou as investigações sobre a placa
A presença da lápide no local havia sido objeto de uma pesquisa da antropóloga e arqueóloga Luisa Roedel, iniciada em 2012. Durante o estudo, a pesquisadora constatou que, embora a placa fosse real, ela não correspondia a um sepultamento de Herculine Barbin, que viveu e morreu na França no século XIX.
Roedel investigou a ausência de registros oficiais que explicassem a entrada do objeto no cemitério. Para a pesquisadora, o caso revela questões sobre memória, patrimônio e os processos de invisibilização que ocorrem em espaços como os cemitérios.
A pesquisadora destacou que o episódio permite discutir temas como a intersexualidade e a construção social de gêneros. Segundo Roedel, o estudo buscou compreender o que a lápide revela sobre o reconhecimento de figuras históricas e os limites da documentação oficial.
A Prefeitura de Belo Horizonte informou, em nota, que não há qualquer registro oficial em nome de Herculine Barbin no acervo do Cemitério do Bonfim. O órgão reforçou que a identificação do jazigo não foi atribuída à figura histórica pelos registros da administração municipal.
Em uma visita realizada nesta quinta-feira (16), constatou-se que a lápide já havia sido retirada do túmulo. O Cemitério do Bonfim é considerado um importante local de preservação da memória e cultura da capital mineira.
