Memorial em BH recebe programação cultural e nova fachada neste sábado (26)
Espaço que funcionou como sede do Dops terá atividades gratuitas, música e feira de artesanato neste sábado (26)
Por Redação Diário Local
O Memorial dos Direitos Humanos Ocupado, em Belo Horizonte, realiza uma programação especial neste sábado (26), das 10h às 18h. O evento conta com atividades culturais gratuitas, incluindo a pintura ao vivo da nova fachada do prédio e intervenções de grafite.
A programação integra a Primavera dos Museus e terá como um dos destaques o trabalho do artista 2Lipa na fachada do imóvel. Outros ambientes receberão intervenções de grafite realizadas por Goma, do coletivo Garatuja, Marola, Najma e Thai.
As atividades começam às 10h com uma visita mediada pelo prédio. A mediação apresenta a história do imóvel e aborda as violações de direitos humanos ocorridas no local durante o período da ditadura militar, quando a sede abrigou o Departamento de Ordem Política e Social (Dops) de Minas Gerais e estruturas ligadas ao DOI-Codi.
O que tem na programação cultural?
Ao longo do dia, o público poderá visitar a Feira de Artesanato e Quitandas do Mãos Solidárias, do MST, e acompanhar a Batalha de Slam do Coletivo Brota. O cronograma musical inclui apresentações de Sandrão Eletrorgânico e música eletrônica com o DJ BDT Selectah.
Haverá também a venda de comidas e bebidas no local. A partir das 11h, a galeria situada no quarto andar do prédio promove o Grande Saldão Piolho Nababo, reunindo obras de arte com preços promocionais voltados para jovens colecionadores.
A renda obtida com as atividades será destinada aos custos de manutenção da Associação do Memorial dos Direitos Humanos Ocupado e das ações desenvolvidas no espaço.
Histórico do imóvel em Belo Horizonte
O prédio, localizado na Avenida Afonso Pena, 2351, foi utilizado para ações de repressão política, como prisões e interrogatórios, durante o regime militar. O Dops foi extinto em 1989 e o imóvel passou por diversos usos antes de ser destinado à preservação da memória.
Em 2000, uma lei estadual determinou a criação do Memorial dos Direitos Humanos no local. O patrimônio foi tombado pelo município em 2013 e pelo estado em 2016. Em 1º de abril de 2025, movimentos sociais ocuparam o prédio para transformá-lo no Memorial dos Direitos Humanos Ocupado.
Desde a ocupação, o espaço passou a receber cerca de 10 mil pessoas em visitas mediadas e mais de 30 mil em atividades gerais no entorno. Em abril de 2026, foi criada a Associação do Memorial dos Direitos Humanos Ocupado, formada por integrantes dos movimentos da ocupação.
