Moradores se opõem a pedido de flexibilização de horários de voos no Aeroporto de Congonhas
Associações de moradores e entidades protestam contra pedido de voos excepcionais após as 23h no aeroporto paulista.
Por Davy Albuquerque
Moradores das áreas próximas ao Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, manifestaram oposição a um pedido de flexibilização do horário de funcionamento da unidade. A proposta busca permitir pousos e decolagens em horários excepcionais, antes das 6h ou após as 23h, para casos de emergência ou eventos meteorológicos adversos.
O pedido foi feito pela Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) e está sob análise da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Na última quinta-feira (16), cerca de 20 entidades assinaram uma nota de repúdio contra a medida durante audiência pública na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp).
O que dizem os moradores
A comunidade local relata impactos constantes devido ao ruído das aeronaves, que operam das 6h às 23h. Residentes de bairros como Moema afirmam que o barulho de pousos e decolagens, que ocorrem em média a cada 2 minutos e 30 segundos, prejudica o descanso e a rotina doméstica.
Há o receio de que a classificação de 'casos excepcionais' seja utilizada de forma ampla, permitindo que voos atrasados ou situações de pouco impacto gerem prorrogações frequentes do horário de operação. Segundo a concessionária Aena Brasil, o aeroporto realiza mais de 590 voos diariamente em suas duas pistas.
Propostas de redução de ruído
Especialistas defendem a adoção de protocolos de redução de ruídos, como o NADP 1, que ajustaria a altitude das aeronaves durante as decolagens. Atualmente, observa-se que aviões realizam a curva de subida em altitudes inferiores ao recomendado pelo protocolo, o que amplia o impacto sonoro em bairros como Moema.
Outras medidas sugeridas incluem o uso de aeronaves mais modernas e menos barulhentas, a redução da velocidade de decolagem e o aumento da angulação de subida. Também foi sugerida a implementação de clausura acústica para testes de motores.
Como funciona o processo de autorização
A Abear argumenta que a extensão serve para dar agilidade em situações de força maior que afetem a malha aérea nacional. Já a concessionária Aena Brasil esclarece que, em casos excepcionais, as companhias aéreas devem encaminhar solicitações ao Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), órgão vinculado à Força Aérea Brasileira (FAB).
O Decea avalia os impactos operacionais e, caso os critérios da Anac sejam atendidos, a demanda é enviada ao aeroporto. Cabe então à concessionária verificar se há disponibilidade de infraestrutura para realizar a prorrogação das operações.
