Professor da UFMG vira réu por injúria e discriminação contra cadeirante em Belo Horizonte
Justiça aceitou denúncia do Ministério Público após docente ofender cadeirante em restaurante na Região Centro-Sul de Belo Horizonte
Por Redação Diário Local
A Justiça tornou réu um professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) acusado dos crimes de injúria e discriminação de pessoa em razão de deficiência. O caso aconteceu após um desentendimento em um restaurante no bairro Santo Antônio, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte.
O magistrado Bernardo Campos Mitre, da 9ª Vara Criminal da Comarca de Belo Horizonte, assinou decisão nesta terça-feira (4) determinando a citação do acusado. Pedro Benedito Casagrande deve responder à acusação por escrito em até 10 dias.
Como ocorreu o caso
O episódio aconteceu no dia 12 de fevereiro, quando a proprietária do restaurante Cozinha Santo Antônio, Juliana Duarte, e sua família se depararam com um veículo estacionado de maneira irregular sobre a faixa de pedestres, bloqueando a rampa de acessibilidade. Ao questionar o proprietário do carro sobre a infração, o homem teria desferido ofensas contra o marido de Juliana, que é cadeirante.
De acordo com os relatos, o docente teria voltado ao estabelecimento mais tarde e proferido novas ofensas em relação à condição física da vítima. Na denúncia apresentada pelo Ministério Público, foi destacado que o cadeirante, que possui uma condição neurológica degenerativa, apresentou intenso sofrimento emocional após os fatos.
Os autos do processo indicam que a vítima apresentou mudanças de comportamento, tornando-se mais retraída e demonstrando resistência em frequentar o restaurante da família após o embate.
Repercussão e apuração interna
Cerca de uma semana após o ocorrido, o professor publicou um pedido de desculpas por meio das redes sociais. No texto, ele afirmou que sua conduta foi errada e atingiu a dignidade de uma pessoa com deficiência, assumindo a responsabilidade pelo erro.
A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) declarou que não tolera condutas que violem a dignidade humana ou direitos fundamentais. A ouvidoria da instituição confirmou a abertura de uma apuração interna contra o docente para apurar o ocorrido.
