Filho assume oficina de restauração de pianos de cinco gerações em Itajubá (MG)
Carlos Guilherme Quito segue o trabalho do pai, Carlos Quito, que dedicou mais de sete décadas ao ofício de afinador e restaurador
Por Redação Diário Local
Carlos Guilherme Quito assumiu a continuidade do trabalho de afinação e restauração de pianos em Itajubá (MG), seguindo o legado de seu pai, Carlos Quito. A tradição familiar, que já alcança a quinta geração, é mantida com o uso de ferramentas e técnicas passadas entre os membros da família.
Carlos Quito faleceu aos 91 anos em 24 de maio deste ano. Antes de morrer, ele dedicou mais de sete décadas à profissão, atuando em diferentes partes do Brasil, incluindo universidades, teatros e centros culturais. Sua trajetória incluiu passagens pelo departamento de música da Universidade de São Paulo (USP).
O trabalho da família envolve o contato com instrumentos de nomes relevantes da música, como Tom Jobim e Elis Regina. Entre os serviços realizados, destaca-se a restauração de um piano Blüthner Leipzig, de 1889, que pertencia ao antigo Auditório Mozart Music Hall, da Faculdade Ibero-Americana.
Como funciona o trabalho da família?
A atividade exige precisão e paciência, uma vez que um piano pode possuir cerca de 12 mil peças. Para a família, o processo de restauração vai além do conserto técnico; trata-se de preservar a história de cada cliente.
Segundo Carlos Guilherme, o valor histórico do instrumento muitas vezes prevalece sobre o seu valor de mercado. Em diversos casos, a família optou por restaurar pianos que possuíam forte valor sentimental para as famílias proprietárias, mesmo quando o custo do serviço superava o valor comercial do objeto.
Carlos Guilherme, de 41 anos, decidiu deixar uma carreira no Exército, onde se preparava para ser sargento, para assumir a oficina. Ele destaca que desenvolveu uma paixão própria pela restauração, especialmente na recuperação estética e pintura dos instrumentos.
A continuidade do legado
Atualmente, cerca de 80% das ferramentas utilizadas por Carlos Guilherme pertenciam ao seu pai. A oficina mantém a rotina de atendimento e viagens para realizar os serviços de manutenção e recuperação dos instrumentos.
A sucessão da profissão já tem um nome definido para o futuro. O neto de Carlos Quito, Diogo Quito, de 22 anos, prepara-se para dar continuidade ao ofício, representando a sexta geração da família dedicada ao universo dos pianos.
