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Patrimônio

Mestres da prata transformaram metais preciosos em tesouros artísticos no Rio de Janeiro

Marcas gravadas em objetos antigos permitem identificar artistas e o valor de peças de prata que decoravam igrejas e a Corte carioca.

Por Redação Diário Local

O Rio de Janeiro abrigou, durante pelo menos dois séculos, uma escola de artesãos capazes de transformar ouro e prata em obras de arte de nível excepcional. Esses mestres, conhecidos como ourives e prateiros, atendiam desde irmandades religiosas e mosteiros até a Corte e famílias abastadas.

A importância desse ofício era tamanha que o Centro da cidade chegou a ter uma Rua dos Ourives. Registros de corporações de ofício mostram que, em 1792, funcionavam pelo menos 16 lojas de ourives no Rio, uma quantidade relevante para o período.

A produção artesanal era complexa e não se limitava ao derretimento do metal. A criação de uma peça sofisticada exigia diversas etapas de especialização, como desenho, modelagem, martelamento, repuxo, cinzelamento, gravação, fundição, soldagem, burilamento, polimento e douramento parcial. Em trabalhos de grande porte, diferentes profissionais podiam colaborar na execução de um único objeto.

Como funcionava a fiscalização da prata?

Como o ouro e a prata eram formas imediatas de riqueza, as autoridades portuguesas mantinham uma fiscalização rigorosa para evitar falsificações e adulterações. É nesse contexto que surgiram as pequenas marcas ou punções que ainda podem ser encontradas em peças antigas.

Essas marcas funcionavam como documentos históricos no metal. Elas podiam identificar o mestre artesão, o local de produção e, principalmente, o teor de pureza da liga. Para garantir o padrão, existia a figura do ensaiador, profissional que verificava se a composição do metal estava correta antes de a peça ser aprovada.

O teor de pureza era medido pelo sistema de dinheiros. No padrão da época, a prata pura correspondia a 12 dinheiros. Peças com 10 dinheiros possuíam cerca de 83,3% de prata, enquanto a de 9 dinheiros tinha 75% de teor metálico. O restante da liga era composto por outros metais para conferir maior resistência às peças.

A conexão entre escultores e ourives

A produção artística muitas vezes unia diferentes disciplinas. Um exemplo é o de Mestre Valentim da Fonseca e Silva, reconhecido principalmente como escultor e entalhador. Embora sua atuação fosse ampla, documentos mostram sua participação direta em projetos de prata.

Entre 1781 e 1783, Valentim realizou modelos para grandes lampadários de prata destinados ao Mosteiro de São Bento. Isso demonstra que o conceito de uma obra de prata podia partir do desenho de um escultor para ser posteriormente executado por especialistas em metais, integrando diferentes linguagens artísticas na construção dos tesouros cariocas.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.