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Política

Abstenção eleitoral no Brasil favorece grupos com máquinas partidárias, diz análise

Aumento do número de eleitores que deixam de votar pode fortalecer candidaturas sustentadas por estruturas partidárias e cabos eleitorais.

Por Redação Diário Local

O aumento do número de eleitores que deixam de comparecer às urnas pode favorecer candidaturas sustentadas por máquinas partidárias e grupos organizados. A ausência de parte do eleitorado não interrompe mandatos ou impede a posse de representantes, mas diminui o número de pessoas que participam da escolha dos governantes.

Em Mato Grosso do Sul, o contingente de ausentes cresceu em mais de 40 mil pessoas em quatro anos. No primeiro turno de 2022, mais de 440 mil eleitores não votaram no estado, enquanto em 2018 o número registrado foi de 398.287.

No cenário nacional, a dimensão da abstenção foi ainda maior. Durante o primeiro turno de 2022, 32,7 milhões de brasileiros não compareceram às urnas, o que representa 20,95% do eleitorado. No segundo turno, o número de ausentes foi de 31,8 milhões.

Como a ausência afeta o resultado eleitoral?

A falta de participação eleitoral não cancela eleições nem reduz mandatos. O que ocorre é que, com um número menor de votantes, grupos organizados, estruturas partidárias e cabos eleitorais passam a ter um peso maior no resultado final das votações.

Esse movimento pode criar um ciclo de descrença. O eleitor, ao se sentir decepcionado, deixa de exercer o voto e acaba abrindo espaço para que grupos que já possuem força política se mantenham no poder.

A multa por não votar, que pode chegar a R$ 3,51 por turno, é considerada insuficiente para estimular a participação, já que muitos preferem o pagamento ao deslocamento ou à dificuldade de escolha entre candidatos.

Quais os impactos da baixa participação?

O impacto da baixa adesão às urnas reflete-se, a longo prazo, na qualidade de serviços essenciais como saúde pública, educação, segurança e transporte, além da gestão dos impostos e das obras públicas.

A análise sugere que o ato de votar deve ser encarado como uma ferramenta de pesquisa e comparação, visando identificar candidatos que apresentem compromisso com o interesse público, mesmo diante da ausência de nomes ideais.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.