AGU pede investigação sobre possível repasse de verbas dos EUA para grupos no Brasil
Advocacia Geral da União aciona Polícia Federal e MPF para apurar possível financiamento de agenda de direita pelo governo norte-americano.
Por Redação Diário Local
A Advocacia Geral da União (AGU) encaminhou, nesta quinta-feira (1), pedidos de abertura de investigação à Polícia Federal (PF) e ao Ministério Público Federal (MPF) sobre um possível financiamento do governo dos Estados Unidos para agendas de direita no Brasil.
A notícia-crime foi enviada pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. O pedido partiu da Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia (PNDD).
A iniciativa tem como base informações de que o governo norte-americano teria redirecionado recursos do Fundo de Direitos Humanos e Democracia, do Departamento de Estado, para iniciativas alinhadas à direita internacional. Segundo o relato, o objetivo seria interferir no debate político e institucional brasileiro e deslegitimar o Supremo Tribunal Federal (STF).
O que diz o pedido de investigação
De acordo com as informações que embasaram a medida, um valor de US$ 1 milhão teria sido destinado a um programa denominado “Combate ao Lawfare e à Censura no Brasil”. O montante faria parte de uma transferência superior a US$ 175 milhões para iniciativas ligadas a pautas conservadoras em diversos países.
A AGU sustenta que a investigação é necessária porque a Constituição brasileira estabelece a soberania nacional, a independência e a não intervenção como princípios fundamentais do Estado. O órgão também ressalta que a legislação brasileira proíbe o financiamento ou a subordinação de agremiações políticas por entidades ou governos estrangeiros.
O objetivo do órgão com a notícia-crime é identificar os responsáveis e os destinatários dos recursos no Brasil, a fim de verificar se houve a prática de crimes e promover a eventual responsabilização individual.
Contexto eleitoral
A movimentação da AGU acontece uma semana após a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva solicitar esclarecimentos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o possível uso de recursos estrangeiros para influenciar a eleição de 2026. A petição, apresentada em 23 de setembro, mencionou possíveis relações de Flávio e Eduardo Bolsonaro com autoridades e organizações dos Estados Unidos.
O documento da campanha de Lula também citou a Rockbridge Network e questionou a origem de eventuais recursos e a atuação de agentes estrangeiros. A nova notícia-crime da AGU, contudo, não afirma que os valores mencionados tenham sido efetivamente recebidos por candidatos brasileiros, focando na apuração da existência de possíveis repasses.
