Alfredo Gaspar é anunciado como vice de Flávio Bolsonaro e enfrenta investigação por estupro de vulnerável
Candidato à Presidência anunciou Alfredo Gaspar como vice nesta quarta-feira (5); deputado é alvo de notícia-crime apresentada por parlamentares.
Por Redação Diário Local
O deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) foi anunciado nesta quarta-feira (5) como o candidato a vice na chapa de Flávio Bolsonaro para a Presidência da República. O anúncio ocorre em meio a investigações de uma notícia-crime apresentada à Polícia Federal (PF) pela senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) e pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ).
A representação, protocolada em 27 de março (27), atribui a Gaspar a prática do crime de estupro de vulnerável. De acordo com os parlamentares, houve relatos de que o congressista teria cometido o abuso contra uma adolescente de 13 anos e realizado repasses financeiros para silenciar o caso.
O deputado nega integralmente as acusações e afirma que a medida é uma "cortina de fumaça" para abafar sua atuação na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. Segundo Gaspar, a ação visa desviar a atenção de seu pedido de indiciamento de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Para contestar as alegações, Gaspar divulgou um vídeo gravado pela jovem citada na acusação, no qual ela nega o abuso e afirma ser filha do primo do deputado. O parlamentar também realizou exames de DNA na Polícia Científica de Alagoas para desmentir a suspeita de paternidade.
O que dizem as ações judiciais?
As ofensas entre os congressistas geraram múltiplas frentes jurídicas no Supremo Tribunal Federal (STF). Além da notícia-crime na Polícia Federal, o deputado Lindbergh Farias moveu uma ação contra Gaspar por calúnia, difamação e injúria, devido a trocas de insultos ocorridas durante os trabalhos da CPMI do INSS.
As queixas-crime tramitam sob a relatoria do ministro Gilmar Mendes. No dia 17 de abril (17), o magistrado determinou que os três parlamentistas apresentassem esclarecimentos formais sobre os fatos. O caso também motivou representações nos Conselhos de Ética da Câmara e do Senado para apurar possível quebra de decoro.
Até o momento, a Procuradoria-Geral da República (PGR) não formalizou uma denúncia contra o deputado Alfredo Gaspar. O colegiado da CPMI do INSS, no qual Gaspar atuava como relator, encerrou os trabalhos sem um relatório final oficial após o seu parecer de 4.300 páginas ser rejeitado por 19 votos a 12.
Por que Gaspar foi escolhido para a chapa?
Ao anunciar o novo vice, Flávio Bolsonaro justificou a escolha pela trajetória de Gaspar na segurança pública. O senador destacou que o deputado é ex-promotor de Justiça e ocupou o cargo de chefe do Ministério Público em seu estado de origem.
Flávio também ressaltou a atuação de Gaspar na defesa de aposentados durante a relatoria da CPMI do INSS. O relatório apresentado pelo deputado detalhava suspeitas de fraudes em empréstimos consignados e descontos associativos, embora tenha sido classificado pela base governista como de uso político.
