Aliados de Renan Santos e Ronaldo Caiado planejam estratégias para debate presidencial sem Lula
Líderes partidários avaliam que ausência de Lula e Flávio Bolsonaro no debate da Band pode favorecer candidatos como Caiado e Renan Santos
Por Redação Diário Local
A provável ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro debate presidencial, marcado para o dia 23 (23) pela TV Band, está motivando aliados de outros candidatos a traçarem novas estratégias para a disputa. Os grupos em torno de Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) avaliam oportunidades para ampliar o apelo de suas candidaturas caso o mandatário não participe do confronto.
Dentro das lideranças do PT, a tendência é de que Lula poupe esforços para o segundo turno ou aguarde uma aproximação dos adversários nas sondagens eleitorais para decidir sua participação. O lançamento da campanha de reeleição do presidente está previsto para o dia 16 (16), em São Bernardo do Campo (SP), momento em que o partido deve definir o posicionamento do petista sobre o debate.
O debate também é visto sob a ótica da oratória. Existe uma avaliação interna de que a capacidade de argumentação de Lula é superior à de Flávio Bolsonaro (PL), o que poderia desidratar a campanha do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro caso o confronto ocorra.
Estratégias de ataque e o papel de Flávio Bolsonaro
O deputado federal Kim Kataguiri (Missão-SP) analisa que uma eventual falta de Lula pode transferir o foco dos ataques para Flávio Bolsonaro. Para o parlamentar, Renan Santos teria a oportunidade de atacar o primogênito de Bolsonaro, que seria o alvo direto em um cenário sem o petista.
Kataguiri aponta que candidatos como Caiado e Romeu Zema (Novo) podem ter cautela ao atacar Flávio Bolsonaro. Segundo o deputado, ambos possuem histórico de apoio a pautas bolsonaristas, como a anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, e poderiam sofrer retaliação de seus eleitores caso demonstrem "subserviência" ou ataques ao grupo.
Sobre o candidato do Missão, Kataguiri avalia que o principal desafio de Renan Santos é o desconhecimento do eleitorado, o que seria mais simples de resolver do que mudar a opinião de quem já conhece um político e precisa ser convencido do voto.
A possibilidade de protagonismo de Ronaldo Caiado
Outra perspectiva é apresentada pelo deputado Otoni de Paula (PSD-RJ), que acredita que a ausência de Lula pode levar Flávio Bolsonaro a também não comparecer ao debate. Nesse cenário, Ronaldo Caiado passaria a ser o principal protagonista do encontro televisivo.
Para Otoni de Paula, Caiado teria condições de demonstrar superioridade em oratória e experiência em relação aos demais concorrentes. O candidato do PSD tem buscado se distanciar do bolsonarismo, tendo inclusive criticado Flávio Bolsonaro durante a convenção do partido.
O histórico de Caiado com o bolsonarismo é marcado por oscilações. O médico, que foi governador de Goiás, já teve divergências públicas com Jair Bolsonaro sobre a condução da pandemia de Covid-19, mas participou de manifestações na Avenida Paulista e prometeu defender a anistia aos presos do 8 de janeiro caso seja eleito.
