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Eleições

Organizações cobram TRE-RJ por falhas na comunicação sobre mudança de locais de votação

Seis organizações pedem que o Tribunal informe diretamente os 202 mil eleitores que tiveram endereços alterados antes do segundo turno

Por Redação Diário Local

Seis organizações da sociedade civil enviaram um ofício ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) cobrando melhorias na comunicação com os cerca de 202 mil eleitores que tiveram seus locais de votação alterados em 20 municípios fluminenses.

O documento, encaminhado na última quinta-feira (09), relata problemas registrados no primeiro turno, como eleitores que só descobriram a mudança ao chegar aos antigos endereços e enfrentaram filas superiores a três horas nos novos locais. As entidades pedem que o tribunal informe diretamente os eleitores sobre os endereços e reavalie as condições de acesso antes do segundo turno, marcado para o próximo domingo (25).

As mudanças determinadas pelo órgão atingiram 72 locais de votação situados em regiões sob influência de facções criminosas e milícias. As organizações reconhecem que a medida busca garantir a segurança e a liberdade de voto, mas afirmam que a efetividade depende de informação acessível e condições adequadas para o deslocamento.

O que as entidades pedem ao TRE-RJ?

Entre as medidas solicitadas estão o envio de informações por meio do e-Título, SMS, e-mail e WhatsApp oficial, contendo os novos endereços e a confirmação de que serão mantidos para o segundo turno. O objetivo é mitigar o risco de orientações falsas ou formas de controle sobre os eleitores.

O ofício também pede a divulgação detalhada dos locais antigos e novos por município e bairro. Além disso, sugere-se a instalação de avisos nos endereços anteriores no dia da votação e a articulação com rádios comunitárias, associações de moradores e imprensa para ampliar o alcance dos comunicados.

Humberto Ribeiro, diretor jurídico e cofundador do Sleeping Giants Brasil, afirmou que o objetivo da mudança é proteger a liberdade do voto, mas ressaltou que o eleitor precisa saber com antecedência onde irá votar e encontrar condições para chegar ao local.

Impactos na Maré

O levantamento da Redes da Maré aponta que, no território, as transferências realizadas em 2024 e 2026 já alcançam 52,42% dos cerca de 60 mil eleitores aptos a votar. Em 2026, a mudança atingiu 17.141 eleitores após a transferência de seções de três escolas municipais para um bairro vizinho.

O estudo identificou que, em 2024, a abstenção aumentou em seções transferidas para fora do bairro. Nas unidades que deixaram o CIEP Elis Regina e o CIEP Samora Machel para uma unidade de ensino fora da Maré, os índices de abstenção foram de 28,38% e 18,57%, respectivamente.

A diretora fundadora da Redes da Maré, Eliana Sousa Silva, pontuou que a transferência pode significar aumento do tempo de caminhada, necessidade de utilizar grandes vias como a Avenida Brasil e a Linha Amarela, além de possíveis dificuldades de transporte público e trajetos percebidos como inseguros.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.