Ex-assessor de Bill Clinton afirma que postura de Donald Trump favorece reeleição de Lula
Richard Feinberg avalia que governo dos EUA não está transformando a América do Sul em colônia e elogia atuação do Itamaraty
Por Redação Diário Local
O ex-assessor do presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, Richard Feinberg, afirmou que a postura do governo de Donald Trump tem fortalecido o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o professor norte-americano, a atual configuração política de Washington tem favorecido o cenário para a reeleição do brasileiro.
Feinberg, que atuou como diretor sênior de Assuntos Interamericanos no Conselho de Segurança Nacional dos EUA entre 1993 e 1996, declarou que, caso o interesse de Trump fosse a reeleição de Lula, o governo americano estaria realizando ações diretas para alcançar esse resultado.
O professor, que organizou a primeira Cúpula das Américas em 1994, destacou que o Itamaraty tem agido com competência, calma e profissionalismo. Para ele, o Ministério das Relações Exteriores brasileiro tem demonstrado firmeza sem se deixar provocar por eventos externos.
Feinberg mencionou que o Brasil não permitiu que sua política comercial fosse condicionada a objetivos políticos, especialmente no que envolve figuras políticas nacionais. Ele afirmou que o país estabeleceu que não é aceitável negociar com base em interesses direcionados a políticos específicos.
Em relação ao controle de fronteiras, o ex-assessor avaliou como uma resposta razoável a decisão de impedir a entrada de pessoas com perfil antidemocrático no país para proteger a democracia brasileira. Ele pontuou que, se a questão for política comercial, o caminho deve ser a negociação.
Relação com a América do Sul
O professor criticou a ideia de que o avanço de políticos de direita na América do Sul signifique um alinhamento automático ao governo de Donald Trump. Ele citou o exemplo do Chile, que mantém relações econômicas e políticas diversificadas na região.
Para Feinberg, é um erro considerar que os países da América do Sul estejam se tornando colônias dos Estados Unidos, classificando tal visão como uma linguagem exagerada. Ele defendeu que a cooperação com os americanos não deve significar a negação da soberania nacional de cada país.
De acordo com o especialista, o uso de discursos sobre domínio ou preeminência acaba dificultando o trabalho de colaboração estreita entre os países da América Latina e o governo dos Estados Unidos.
