Rachas e disputas políticas marcam a trajetória das ex-esposas de Jair Bolsonaro
Histórico revela tensões entre as três mulheres com quem Bolsonaro foi casado, envolvendo disputas eleitorais e investigações.
Por Davy Albuquerque
A trajetória política de Jair Bolsonaro é acompanhada por um padrão de tensões e disputas envolvendo as três mulheres com quem o ex-presidente foi casado. Os episódios variam desde rachas familiares e competições eleitorais até investigações sobre irregularidades financeiras.
O cenário mais recente envolve a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro. A ex-comandante do PL Mulher demonstra resistência em apoiar a empreitada política do enteado, o que gera preocupação sobre o engajamento de setores como o evangélico e o feminino.
Como foram as disputas eleitorais na família?
Um dos episódios mais antigos ocorreu no ano 2000, envolvendo a vereadora carioca Rogéria. Na época, o então deputado Bolsonaro lançou o filho do casal, Carlos, para concorrer contra a própria mãe. O filho foi eleito para a Câmara do Rio para o cargo que ocupou até dezembro do ano passado, enquanto Rogéria não conseguiu a recondução ao mandato.
Rogéria, que elegeu-se em 1992 e 1996 utilizando o sobrenome do marido, busca retomar cargos eletivos. Em 2020, concorreu novamente à Câmara do Rio, mas obteve apenas 2 mil votos. Para o próximo pleito, ela foi escolhida como suplente de Márcio Canella, pré-candidato ao Senado pelo União Brasil.
As investigações envolvendo Ana Cristina
O segundo casamento de Bolsonaro, com Ana Cristina Valle, também foi alvo de escrutínio. Durante as investigações sobre supostas irregularidades em gabinetes no Rio de Janeiro, o Ministério Público analisou dados bancários da família. O órgão verificou que, de um total de R$ 4,8 milhões pagos em salários no período investigado, R$ 4 milhões foram retirados em espécie.
Ana Cristina, mãe de Jair Renan, foi peça central em um dos núcleos investigados devido à nomeação de dez parentes em gabinete. Embora não tenha sido denunciada, a relação com a família Bolsonaro foi marcada por atritos. Em comunicações antigas, ela relatou dificuldades e tensões relacionadas ao convívio com os filhos do ex-presidente.
Tentativas de candidaturas e novos cenários
Ana Cristina também buscou espaço na política por meio de candidaturas. Em 2018, tentou uma vaga de deputada federal no Rio de Janeiro pelo Podemos, utilizando o nome de urna “Cristina Bolsonaro”. Mais tarde, filiada ao PP, tentou uma vaga de deputada distrital no Distrito Federal, mas não obteve sucesso em nenhuma das tentativas.
A relação de Michelle Bolsonaro com as ex-esposas do marido também apresenta pontos de divergência, especialmente quanto ao uso do sobrenome da família em campanhas eleitorais. No momento, o cenário político da família busca novos ajustes para evitar o impacto dessas dissidências nas próximas disputas.
