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Eleições 2026

Especialistas apontam falhas que impediram vitória de Lula e Flávio Bolsonaro no 1º turno

Análise de especialistas indica que dificuldades de comunicação e estratégias tardias impediram que candidatos superassem 50% dos votos.

Por Redação Diário Local

A disputa pela Presidência na eleição de 2026 chegou ao segundo turno sem que os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) ultrapassassem a marca de 50% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro encerrou a primeira etapa com 47,03%, enquanto Lula obteve 45,16%.

Para especialistas ouvidos, o resultado expôs limitações nas estratégias de ambos os lados. Enquanto a campanha de Lula teria tido dificuldades em comunicar os resultados do governo e mensurar a insatisfação popular, a de Flávio Bolsonaro focou na mobilização contra o petista, mas encontrou barreiras para expandir sua base para além do bolsonarismo.

O cientista político Doacir Quadros avalia que o cenário de segundo turno já era esperado devido à competitividade do pleito. Segundo ele, a próxima etapa será definida pela capacidade de atrair os eleitores que não compareceram às urnas e o apoio de candidatos que foram eliminados.

Por que houve dificuldade na comunicação do governo?

Segundo o cientista político e professor de Sociologia Rogério Baptistini, houve um erro de avaliação na campanha de Lula. O governo teria apostado na percepção positiva de indicadores econômicos e sociais, mas negligenciou a rejeição gerada por questões do cotidiano, como o endividamento e o preço dos alimentos.

Baptistini afirma que os indicadores de crescimento e empregos não conseguiram superar a percepção negativa sobre juros e gastos no supermercado. Ele pontua que a tentativa de corrigir essa comunicação com anúncios na reta final foi um movimento tardio.

Adriane Buarque, coordenadora do Esfera Lab (ESPM), complementa que faltou apresentar com maior clareza o que foi feito no mandato e quais seriam os planos para uma eventual nova gestão, deixando o eleitor sem uma mensagem de projeto abrangente.

O impacto das medidas de última hora

Medidas anunciadas nos dias que antecederam o primeiro turno, como o reajuste do Bolsa Família e a proibição das apostas esportivas (bets), foram apontadas como ações com pouco tempo para gerar efeito prático. O aumento do benefício, que subiu de R$ 600 para R$ 691, foi anunciado a 17 dias da votação.

Para Baptistini, o eleitor não teve tempo de sentir o impacto no bolso antes de votar, já que os novos valores começariam a ser pagos apenas em 19 de outubro. No caso das bets, a proibição ocorreu a nove dias do pleito, o que pode ter dado uma aparência de ação puramente eleitoral.

Doacir Quadros observa ainda que a ampliação de benefícios durante o período eleitoral pode gerar desconfiança, uma vez que o eleitor está mais atento e crítico em relação a políticos que adotam medidas para conquistar votos de última hora.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.