Flávio Bolsonaro vai aos EUA defender rejeição da tarifa de 25% sobre produtos brasileiros
Senador participa de audiência pública do governo americano na próxima terça, dias antes da decisão final sobre imposição de tarifa extra a produtos brasileiros.
Por Diário Local
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegou aos Estados Unidos para participar de audiência pública que discutirá a imposição de tarifa extra de 25% sobre produtos brasileiros. A manifestação está marcada para terça-feira (7), às 10h no horário de Washington (11h em Brasília), organizada pelo USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos). Bolsonaro é um dos expositores no segundo e último dia de debates conduzidos pelo órgão que investiga práticas comerciais brasileiras.
Durante aproximadamente cinco minutos de fala, o senador defenderá a rejeição da sobretaxa e pedirá que Brasil e Estados Unidos busquem solução por meio do diálogo. Na avaliação dele, a medida traria prejuízos para exportadores e consumidores brasileiros. Flávio argumenta também que a tarifa acabaria fortalecendo politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A participação na audiência ocorre após envio de documento com 86 páginas às autoridades americanas. No material, Flávio solicita a suspensão do chamado tarifaço e pede que o Pix não seja incluído na disputa comercial entre os dois países. O senador justifica que a adoção da tarifa produziria efeito oposto ao desejado por Washington, ao conferir maior respaldo político ao governo Lula.
A audiência integra investigação instaurada com base na Seção 301 da legislação comercial americana. O procedimento analisa se políticas brasileiras em áreas como comércio digital, meios eletrônicos de pagamento, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, tarifas preferenciais, combate à corrupção e enfrentamento ao desmatamento ilegal representam prejuízo aos interesses comerciais dos Estados Unidos.
Antes de definir eventuais medidas contra o Brasil, o governo de Donald Trump abriu período para recebimento de manifestações escritas e realização de audiências públicas. Essa fase reúne contribuições de empresas, entidades representativas, especialistas e organizações dos dois países. A decisão definitiva está prevista para ser anunciada até 15 de julho.
Além de Flávio Bolsonaro, também participará do painel Roberto Azevêdo, ex-diretor-geral da OMC (Organização Mundial do Comércio). Azevêdo falará em nome da CNI (Confederação Nacional da Indústria), da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional).
Na proposta encaminhada ao USTR, Flávio Bolsonaro sugeriu que os Estados Unidos suspendam temporariamente a aplicação da tarifa adicional. O senador também propõe a instituição de um canal bilateral de negociações, com cronograma definido para discutir os temas objeto da investigação. Pela proposta, a suspensão da sobretaxa não implicaria encerramento da investigação comercial, que permaneceria em andamento enquanto Brasil e Estados Unidos buscassem solução negociada.
O governo brasileiro segue com negociações próprias para impedir o tarifaço sem ceder em pontos cruciais. O Palácio do Planalto defende que haja reversão da tarifa, independentemente de quem ganhe as eleições em outubro. A visão do governo é de que o adiamento da aplicação das taxas para depois do pleito, como propõe Flávio, reforça que o objetivo não seria reverter o impacto econômico das medidas, mas atrelar a decisão ao resultado das eleições.
O ministro Márcio Elias Rosa, do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), tem mais duas reuniões previstas com Jamieson Greer, Representante de Comércio dos Estados Unidos, até 15 de julho. Na última reunião, realizada na quinta-feira anterior, o ministro rechaçou qualquer possibilidade de negociações sobre o Pix, que vem sendo um dos principais alvos da investigação norte-americana.
Na mesma reunião, Elias Rosa apresentou plano com medidas que o Brasil pode adotar para atender às demandas dos EUA na Seção 301. O plano abrange tarifas preferenciais desleais, acesso ao mercado de etanol, proteção da propriedade intelectual, combate à corrupção e desmatamento ilegal, mas exclui negociações sobre o Pix.
A aposta do governo brasileiro é demonstrar que as condições para o setor americano permanecerão positivas sem a tarifa de 25% que pode ser implementada. A estratégia busca encontrar convergência com Washington para impedir a sobretaxa sem fazer concessões em temas considerados cruciais pelo Brasil.
Os próximos dias serão determinantes para os rumos da negociação. A audiência pública de terça-feira (7) marca mais um passo na disputa comercial, com posições antagônicas entre o senador Bolsonaro e o governo Lula em relação à melhor forma de evitar a tarifa americana.
A decisão final do governo dos Estados Unidos sobre a imposição da tarifa adicional será anunciada até 15 de julho, encerrando o período de consultas e análises que começou com a abertura da investigação comercial contra o Brasil.
