Diário Local
Eleições

Alfredo Gaspar será porta-voz de Flávio Bolsonaro em temas sobre o INSS, afirma analista

Indicação de Gaspar como vice sinaliza estratégia de combate à corrupção, segundo cientista político da Arko Advice.

Por Redação Diário Local

A escolha de Alfredo Gaspar (PL-AL) para compor a chapa de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República sinaliza que o político será o porta-voz do candidato em temas relacionados ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A análise foi feita pelo cientista político Lucas de Aragão, sócio da Arko Advice, que vê no movimento uma estratégia de combate à corrupção.

De acordo com Aragão, a indicação de Gaspar visa explorar o histórico do parlamentar como relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. A movimentação busca atingir um grupo de eleitores que, segundo o levantamento "Raízes da Rejeição" — realizado pela Arko Advice em parceria com o Atlas Intel —, rejeita o atual governo federal majoritariamente por questões ligadas à corrupção.

Apesar do foco temático, o especialista ponderou que a escolha do novo vice não deve ser encarada como uma solução definitiva para o desempenho da candidatura. Segundo o analista, a indicação de Gaspar não funciona como uma "bala de prata" para a conversão de votos nas urnas.

Limitações nas alianças políticas

O cientista político explicou que a formação da chapa enfrentou obstáculos para consolidar coligações com partidos de centro (Centrão). Para Aragão, o objetivo principal desses partidos atualmente é a eleição de suas próprias bancadas, e não o apoio prioritário a candidaturas presidenciais específicas.

Essa dinâmica, somada a fatores como a polarização e divisões regionais, acabou por restringir as opções de vice ao próprio Partido Liberal (PL). Durante a pré-campanha, a candidatura de Flávio Bolsonaro tentou atrair nomes como a assessora econômica Daniella Marques e a parlamentar Tereza Cristina (PP-MS), mas a dificuldade de acordos com partidos médios e grandes limitou o alcance das negociações.

Mesmo sem a composição partidária, a presença de Tereza Cristina em eventos de apoio foi interpretada como um gesto de aliança pessoal. Participantes do evento descreveram a participação da senadora como uma demonstração de nobreza política, sinalizando proximidade com o grupo, ainda que não tenha se concretizado uma coligação formal.

Estratégia de campanha

A estratégia de focar na pauta da corrupção e nos temas do INSS busca responder a grupos que não votam no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O analista mencionou que episódios envolvendo figuras ligadas ao governo já impactaram pesquisas de opinião anteriormente.

O cenário político atual, marcado pela verticalização e por prioridades distintas entre os blocos, exige que a chapa de Flávio Bolsonaro defina seu campo de atuação dentro das limitações de articulação nacional encontradas até o momento.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.